domingo, 3 de outubro de 2010

mais um pouco de paris

na sequencia: 
o teto do opera garnier, que é do chagall, onde eu vi um ballet maravilhoso; 
autorretrato com uma das obras do murakami e a sala dos espelhos no palacio de versailles; 
a eterna eiffel e a entrada do museé du quai branli ao entardecer; 
nosotros na bastille, antes de comer um gelatto amorino incrível (comi de chocolate e nocciola e pistacchio)

obs: aqui em paris todo mundo acha que eu sou italiana (deve ser o sotaque da mooca, meu)






paris, hoje? ok!

hoje teve ópera. eu dei umas dormidas de 7 segundos durante meia hora (durou 3 horas), mas foi incrível.


saimos pelo quartier latin depois, eu, thea, mayra e marvio.

hoje teve também escargots (finalmente comi isso: é bom pra carai) e ostras (só tinha comido as excelentes do nordeste, mas essas da bretanha foram F...).

e aí vai uma panoramica vertical do palacio de versailles (que tá com a exposicao excelente do murakami, detalhe de obra com detalhe do palacio antes da panoramica)




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

a cabeca comeca a pirar

5 dias : espanhol
7 dias : italiano e ingles
agora : frances
nativa : portugues

dieux dame forza. amem

(eu to mandando bem)

doppo roma; la famiglia; gli giulietti

saí de roma bem cedo, sete da matina tinha que pegar o onibus.

saí com a mala nas costas, mas tinha comprado na noite final um outra mala, de rodinha, nuns indianos do lado da estacao.

sai andando, tudo certo, antes da hora. nao sabia onde era direito o onibus e estava indo prum lugar senza englese.

o fato é que um pouco antes de atravessar a rua pra pegar o onibus, torci o pe feio, tipo com direito a um "crec" assustador. um italiano gigante me segurou justo na hora em que eu ia cair de boca no chao e quebrar os dentes. sai andando morrendo de dor e minha estrategia foi colocar o pé num vao ao lado da minha poltrona que era o ar condicionado. tipo gelo.

cheguei em macerata (cidade do meu pai) sem saber quem esperar. floriana (prima do meu pai) tinha me diton por email que me buscava na estacao seu filho. eu nem sabia quem era ela nem o figlio, que idade teriam?

eu fiquei ali, na estacao fantasma, sozinha, como companheiro um cigarro a esperar uma pessoa que náo fazia ideia. mas emocionada. meio chorandinho.

de repente chega um cara, seus 50 anos, "fernanda"

cara, eu sõ sabia falar ciao, doppo, dove e, quante e,

era mario, marido de floriana. saimos ate o carro e  vou dizer uma coisa : eu nao fazia a mais puta ideia de como me comunicar por 2 dias com essas pessoas.

mario foi trabalhar e eu fiquei com marco, meu primo de 3 grau. figura. 23 anos. fomos tentando nos comunicar no carro. (no fim da estada era como se nos conhecessemos toda a vida)

porque 'e isso que faz a necessidade da comunicacao: vc comeca a pegar tudo o que ja viu/ouviu na vida e ssegue. eu posso dizer que posso falar um italiano basico. tipo italiano dos ianomami, mas eles me entederam. e foram dias maravilhosos com gente maravilhosa.

e aqui a foto da famiglia, doppo la cena. (costelinhas de porco, frango, salada, prosciuttos, etc _massa eu comi no dia anterior)

[na frente]  maria, io, mario, floriana, melagna, alessio;[atras] bruno, marco, paola, giorgia

più de roma

minha vontade era bater num giornalle qualquer e pedir um emprego. minha vontade era nem sair mais de roma. meu italiano passionesco já melhorava e eu ia me apaixonando pela cidade. alem disso, conheci umas pessoas extremamente interessantes, com historias que nao posso esquecer jamais.

conheci no meio da rua uma argentina que precisava de ajuda pra saber onde estava. eu sou boa de mapas e tenho me virado bem em todas as viagens que fiz, tipo sei ler mapa. parece fácil, mas nao é. dizem que mulheres têm dificuldade com isso. eu acho que nao. eu meio que decoro o mapa, tennho boa memoria visual, sei onde estou, gps interno.

o fato é que íamos pro mesmo lado e a convidei a andar comigo. no fim do percurso, combinamos de ir conhecer o trastevere, bairro boemio e bem romano.

o bairro é delicicioso, tem restaurantes e bares por toda parte e fomos andando sem compromisso até achar um que a gente gostasse. nisso elena, a argentina, foi contando a historia de porque estava em roma.

o marido tinha morrido há 8 meses de cancer de pancreas e seu último pedido foi que ela jogasse suas cinzas no tevere. a odisseia para que isso acontecesse eu conto ao vivo pra quem quiser, é uma historia sensacional que vale a pena (fiquei uns 5 minutos com os pelos arrepiados).

dividimos um carbonara e uma saltimboca alla romana e voltamos felizes (ela ia pra grecia depois e eu mais uns dias em roma) pra casa.

 (nao tem mais ordem cronologica aqui, só um pouco).


dias depois eu fui pro vaticano. achei que nao ia conseguir. a fila (diziam os caras) levava uma hora e meia, eu tinha chegado tarde (14h30) porque tinha colocado na cabeca que antes tinha que comprar um sapato que tinha visto no dia anterior, mas isso durou mais tempo porque eu nao achava a rua, mas achei, comprei e segui pro vaticas a pé.

me meti na fila e boa. chega um indiano e fala que tem um grupo/tour que te faz sair da fila e te da um panorama basico das coisas dentro dos museus do vaticano e eu fiquei negociando e cheguei a 25 euros e estava meio mal por pagar tanto, mas eu ia. saí da fila e fui com o cara 3 metros, quando ele encontrou o outro cara doi tour que disse que já nao dava mais.

sinceramente: eu tava tao nervosa, eu quase chorei, antes eu falava em "italiano" com o cara, nessa hora comecou a sair um ingles "why did you do that to me, man?", ele me tirou da fila!!!!!!!

os caras que estavam atras de mim viram tudo e me chamaram de volta. sensacional. eram colombia equador e venezuela. tirei essa foto.

bom, daí eu nao tinha tempo e fui direto pra capela sistina. fiquei quase 2 horas la dentro. incrivel, incrivel, incrivel.

nao pode tirar foto e eu nao tirei. tem um video doppo.


bom, depois foi a epopeia da escadaria de 320 degraus (quase morri) até a cupula da basilica de san pietro.

sensacional.



eu lá em cima; detalhe da piazza san pietro

roma, cidade aberta

nem sei se alguém lê isso aqui. de qualquer modo estava tão abandonado como uma estacao de faroeste.

roma já esta no topo da minha lista de lugares mais maravilhosos do mundo. tem fotos nos posts passados, mas nada pode descrever a experiencia lá: a cidade é pequena, fiz praticamente tudo a pé. e a cada esquina (sem placa de rua pra indicar onde voce esta), voce descobre uma reliquia, um tesouro, uma surpresa, uma maravilha. isso serve pra arquitetura, historia, comidas e pessoas.

em madrid eu comi maravilhosamente, estava com um amigo querido do panama, mas nao estava feliz de verdade. a verdade é que os espanhois sao frios.

isso faz toda a diferenca pra mim. em roma eu voltei a ser eu, tem uma coisa quente, tem um ciao bella do garcom que é uma cantada, mas é sutil, gostosa, lasciva e respeitosa. tem qualquer pessoa da rua que te olha, te ve, mesmo que turista e com dificuldade com a lingua e te ajuda, te mostra, tem voce ficar observando a vida deles passar e os caras sao troppo brincalhoes, comem muito, com prazer, mas andam, desfrutam a cidade, e vestem esses coletes e oculos e correntes e sapatos e cabelos e palavras super bregas, mas que neles vira uma elegancia nata. as vespas estao em toda parte, como as motos em sao paulo, mas em roma elas nao incomodam, elas nao fazem barulho, é barulho bom. fila dupla a cada esquina, mas quem se importa, há espaco pra todos, há espaco pra prada, yves saint laurent, valentino, la via condotti, e pra trajano, cesar, avgvstus, há espaco na barriga pra antipasti, insalati, primi piati, secondi, il dolce, la dolce vita, il dolce far niente.

olhando a piazza na frente do pantheon.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

uma panoramica do foro romano

nao sei o que acontece: algumas fotos nao podem ser vistas grandes clicando em cima, a outra ficou pela metade e se clica em cima, mostra a foto toda.

a ver o que passa com essa panoramica :)




roma

depois volto com mais calma, mas só digo uma coisa, em bom português:

ROMA É FODA!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

nova tentativa de fotos

servem porra no cafe da manha.

tortilla con queso azul no la bardemcilla, restaurante da familia do javier bardem, en chueca, madri


fachada do centro cultural caixa forum, madri
i love that shit
adoro as placas de rua
assustada com a guernica
lateral do reina sofia
jamon serrano es vida
gazpacho engarrafado
companheiros de zaragoza
yo y tomas en el museo del jamon
madrid me mata


fotos!


deu tudo errado e so consegui colocar essa foto.... :( 

orichietta al pomodoro i zucchini, em roma
a bateria vai acabar, entao fica pra amanha

dias 3 e 4 e 5

dia 3
acordei bem bem tarde. acho bom, me faz lembrar que estou de ferias. sai pra ir ao reina sofia, antes almoco na frente do hostel (Ubu), saladinha delicia e pao com salmon ahumado y  pasta de avocado.

o reina sofia é incrivel. amei.

claro, tem a guernica, os estudos para o quadro sáo tao maravilhosos quanto, mas tem muita coisa pra ver, exposicoes temporarias otimas, uma do novo realismo (arte dos anos 60, que adoro, todos os rauschembergs, kaprow, manzoni, referencias a duchamp. tinha uma de fotos de manhattan, linda.
lindo predio, linda vista, lindas exposicoes.

mais uma vez, jantei pan con jamon e coca. é dif'ícil comer, parece que tem a mesma coisa em todos os lugares. e, impressionante, estou menos gastronomica nessa viagem.


dia 4
salí de compras. fui ao bairro gay de madri, chueca. bem bacana, lojinhas descoladas, comprei um monte de meias-calca diferentes, coisas de desenho, tinha uma livraria só de coisas de design, arte, precisei me controlaer pra nao gastar muito...

almocei no restaurante da familia do javier bardem. bem bacana, uma tortilla com quezo azul y una copa de vino blanco... pena que ele nao estava... :) (mas a irma é identica a ele, sendo que feia).

tinha combinado de encontrar o tomas pra ver um espectaculo de circo contemporaneo que tinha comprado no brasil. nao havia mais entradas, era a estreia e com o bom jeitinho e sorriso brasileiros consegui uma entrada (gratis) para ele. tomas se supreendeu, disse que nunca eu ia conseguir e que em 3 anos nunca viu isso acontecer. aqui é curintia!! hahahah

espetaculo incrivel, incrivel. supreendente e que me deu varias ideias e referencias para o espetaculo que vou fazer com a morena. saimos para comer algo no museo del jamon, um bar bem tradicional aqui. saimos para tomar mais umas, conhecemos um italiano, sulafricano, australiano, uns espanhois de zaragoza.... isso até o sol raiar! uff!

dia 5
hoje foi pasmaceira total. dormi bastante, dei uma voltinha pelas cercanias, é bom nao ter nada na cabeca. me deu um pouco de novo da sensacao esquisita de 'o que estou fazendo  aqui', mas é normal e entao um bom livro e tempo para a cabeca é bom. encontrei tomas para despedirnos e dormi cedo, dia seguinte saio a roma muito cedo, viagem de aviao, de trem, a pe, chegar num lugar em que nao falo um cazzo!

vou tentar colocar algumas fotos!

ufa

no dia 2, depois de umas 12 horas de sono, passou a estranheza, ja nem queria mais voltar. ja nao conto os segundos. arrumei melhor a mala, tomei um banho, sai em busca de meu amigo panamenho, tomas, que conheci em lisboa o ano passado. nos encontramos en SOL, a principal praca do centro de madrid. tomas, que vive em madrid há 3 anos foi uma querida companhia nos dias espanhois.

fui caminhando pelas ruas, até chegar na tal plaza mayor (esperava mais, mas acho que por causa do domingo, estava muito cheia e com umas estruturas feias sendo montadas), depois no lindinho mercado de san miguel (que é do que eu gosto, mas tava muito cheio e deixei pra ir la amanha, comer umas ostras francesas e tomar una cava (champanhezinho espanhol) pra valer a pena!

caminhamos por uma área de madri que nem pretendia muito ir, mas é realmente tudo muito pertinho, era a área do palacio real, com jardins  e essas coisas reais. fomos tapear em um bar famosinho com varias filiais, chamado cervezeria 100 montaditos. é que tem 100 opcoes no menu e voce vai anotando o que quer.

pedimos de caranguejo com tortilla de patatas, jamon con pimientos, pollo con salsa brava, chorizo. tomei um vinho branco gelado e ele uma coisa tipica daqui que achei meio ruim, um vinho tinto doce com gelo e água (tinto de verano). ou seja. NOT.

as ruas do centro estavam todas fechadas por causa de um evento de ciclismo nacional que estava passando por madri, tivemos que dar boas voltas pra poder chegar no parque do retiro. que é incrível. claro, um classico de viagem: esqueci de carregare a bateria da camera e nao tenho nenhuma foto de coisas legais do parque, mas devo voltar la que esta pertinho do hostel para a fonte monumento ao diabo (o único em homenagem ao cara, que parece que é reconhecido até pela Igreja), para andar de bici e ver o por do sol no lago, mais o palacio de cristal. fizemos uma farofinha no parque comendo amendoins de istambul que uma menina deixou no hostel e uns chips de inhame que encontrei na mochila.

depois nos perdemos bastante camimnhando e fomos tomar unas cañas numa ruazinha perto da gran via, entre gran via e sol, acompanhado de polvo a la gallega. delicia. aqui em madri é assim: voce pede a bebida e eles vao trazendo as tapas (de graca). quanto mais pede bebidas, mais as tapas vao se sofisticando.

figuras sao o que nao faltam. conheci um argentino doido (claro) no hostel, diz que escreveu um livro e foge da mafia argentina, que amigos foram mortos e tudo. nem sei se é verdade, a checar. seguimos falando com romenos (que estao sendo expulsos da franca pelo sarkô).

fui dormir bem tarde, mil coisas pra fazer amanha.

(dificil escrever direito e editar e escrever bem assim em viagem. muita coisa pra falar, a cabeca pensando em duas linguas ao mesmo tempo).

vou tentar colocar fotos nos proximos posts!

domingo, 19 de setembro de 2010

chegar nem sempre é fácil

madri, primeira impressoes

a ansiedade da viagem sempre passa pra mim quando entro no aviao. dessa vez foi diferente. achei que ia protagonizar um episodio como o daquele ator global, que um dia teve um surto no aviao, causou, foi expulso e tal. e isso porque ele tinha uns lexotans. eu percebi que tinha deixado meu fitoterapico para ansiedade (sim, eu tenho isso) na mala que despachei.

entao, fui me controlando com os pontos de doin para ansiedade e tentando dormir o maximo de tempo possivel. mas era impossivel, ja que cada vez que eu fechava os olhos e embarcava num soninho, comecavam a vir as coisas mais esdruxulas e loucas na cabeca. como sonhos, mas comigo consciente. meio estranho. fora que vc vira de um lado pro outro de 7 em 7 minutos. (com um espanhol MALA do lado; era eu olhar pro lado que ele fazia uma carinha de enfado).

assim foram as 10 horas. quando cheguei em barajas ainda me sentia mal: "quero voltar. tomara que nao me aceitem. que me barrem, que achem que eu quero dar o golpe do bau em alguem". é, nem só de maravilhas é feita uma viagem. podem falar o que quiserem, mas quando a gente sente, sente.

aí voce passa pela imigracao querendo que ele te expulse (no fundo, nao) e ele nao te expulsa e nem quer ver nenhum documento. e sai andando por uns saguoes enormes seguindo as placas de equipage (bagagem) e acaba chegando numa escada rolante sem volta, sem escada que suba de volta (o madura ja tinha me avisado, mas eu nao sabia que era nessa hora), que te deixa na frente de uma estacao de trem. vc náo entende nada, tenta falar com alguem, mas todos estao ali, deve ser isso mesmo. vc entra no minimetro e desce no lugar das esteiras de bagagem. a minha chegou em uns 134 segundos, mais ou menos. peguei o carrinho e fui entender onde estava.

dai é que voce sai no loobby principal e fica ali, perdido en mi destino (parafraseando Mano Chao). E dai voce pega o mapa do metro e nao entende quais linhas e baldeacoes tem que fazer. Perguntei no balcao de informacoes, mas a mulher so me dizia: é fácil, voce vai ver, e divertido. OK, QUAL a estacion, por favor??? o cara da limpieza foi quem me mostrou as duas que deveria fazer e la fui.

meu primeiro contato real com alguem foi com um brasileiro, claro. ele foi quem um tanto me reconfortou, sem saber. estava indo para salamanca estudar, depois de viagem por aí. descemos na mesma estacao e seguimos para lados opostos. era jornalista e ja me esqueci o nome dele.

fiz a outra baldeacao e cheguei na estacion anton martin. meu hostel é há duas miniquadras dela, entao foi lindo para achar. so que cheguei muito cedo, o check in era so as 13h. deixei a mala grande depois de falar com o ibraim, um senagales gente boa e fui ver o que tinha ao lado.

era sabado, umas 10 da manha (pra mim, 5h antes), todo cerrado. fui parar num boteco de cara boa pra tomar um cafe com leite e pao com manteiga. que o cara achou estranhissimo. pedi pra ele colocar umas fatias de jamon crudo em cima e ele ficou mais tranquilo. dai percebi que tinha duas putas com dois moleques e eles pareciam estar virados da sexta pro sabado (um deles sentou do meu lado, super respeitoso, pediu um cigarro, super respeitoso e me pergunta DONDE ESTOY?, hahaahahah, eu, que tinha acabado de chegar, pelo metro e so tinha visto 2 ruas, falei metro anton martin, e o cara no seu celular multiultra entrou nuns mapas e gps e viu que estava muito longe de casa.)

foi quando fumei meu primeiro cigarro em um ambiente fechado que nao a minha casa em um ano e tanto, aqui em madri se pode fumar em todos os bares e restaurantes. foi estranho, me acostumei, e acho estranho. mas prazeroso.

dai sai andando pro jardin botanico de madrid, bem perto de meu hostel. ai tambem estao os principais museos, mas eu tava sem cabeca pra isso. andei pelos jardins, deitei num banco e dormi por uma horinha, trocando de banco quando o sol ia embora, porque faz 29 graus, mas na sombra é meio geladinho (ou foi o banco de pedra?).

ao lado mesmo do jardin botanico esta o museo del prado. la fui. colecao permanente do museo mais uma exposicao do turner que esta fazendo sucesso aqui. peguei o ingresso, mas para a do turner tinha que esperar uma hora. fui ver a colecao.

estava muito cansada, sem paciencia para ficar vendo velharias (sim, amigos, é isso que o jet lag faz com a pessoa), mas me encantaram algumas obras: a anunciacao, de fra angelico, um classico das aulas de historia da arte, porque a composicao foi diferente de tudo o qyue se fazia, e se me lembro, as cores da manta de maria fora trocadas (sempre era retratada em azul e naquele quadro nao). ha outras coisas que nao me lembrava, e tentava me lembrar das pessimas aulas do paulo khul na unicamp, quando ele deixava a coisa ser chata.... mas ver aquilo de frente foi incrivel, tao difrente das reproducoes timidas. tem uma luz que chega do ceu ate maria (na hora da anunciacao!) que é dourada! mesmo, uma tinta dourada que deve mesmo ser ouro. e ela se pronuncia de uma maneira incrivel no quadro.

outra ala que me impressionou foi a das pinturas historicas. vou ter que voltar (o ingresso é algo como 15 euros, mas como tenho a carteirinha de imprensa, nao pago, portanto as voltas náo doem no bolso). alias, porque na hora que fui ver a expo do turner a coisa tava impossivel. fila pra ver quadro. detesto exposicao assim. impossivel. e o turner foi um dos caras que me influenciou a poder fazer artes plasticas. eu gostava MUITO dele antes de entrar na faculdade, ele tem a coisa das marinhas que é incrível. sempre gostei muito mesmo. depois, na facul, me distanciei, preferindo os modernos e os contemporaneos. mas o cara é foda e vou voltar pra ver direito, sem fila.

alias, tem sempre coisinhas tao lindas nas lojinhas dos museos que voce tem que ficar esperto pra nao gastar a cota do dia em bobagem. (nao comprei nada porque minha mochila teve que ficar no guarda-volume por causa do netbook do clayclay _obrigada, clayton, esta sendo de muita serventia!!!!!!!! nao sei que presente posso levar pra que fique feliz)

saindo do prado tava mais cansada ainda. era fisico, mas tb a paranoia psicologica. dai resolvi pegar o bus turistico que faz o trajeto pela madrid moderna. (nao briguem comigo, era uma area que nao pretendia ver mesmo, e achei que indo sentadinha, ouvindo infos turisticas e tal seria bom). e foi, porque conheci um lugar que realmente nunca iria a pe, nem gastaria tempo para ver. super rico, cheio de lojas incriveis onde uma bolsa custa 1200 euros e tal.

na volta, desci no prado de novo e fui pro hostel, onde cai na cama pra descansar. tava dificil olhar pra mala, quanto mais abrir. dormi, acordei, tomei um banho e fui comer qualquer coisa na esquina, so queria dormir (inutil dormir que a dor nao passa, diria chico)

mas passou.

amanha tem o dia 2, muito muito tranquilito!

sábado, 4 de setembro de 2010

Reativando

Parto novamente em 13 dias, desta vez para Madri, Roma, Macerata e Paris.


O frio na barriga continua o mesmo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um dia de fúria (Dia 12 - 25.maio)

Saí de casa meio tarde. Meu plano do dia era ir à Montjuic.

Eu não sabia exatamente o que encontrar ali. Sabia pelo guia que era um morro, meio parque, com atrações turísticas e não-turísticas, com parque de diversões, Fundação Miró (uma das coisas pretendidas, mas que por ser segunda, estava fechado), umas construções da época das Olimpíadas de 92, o estádio do esqueci-o-time, uma fonte luminosa como a do Ibirapuera etc. Combinei de ir com o Gabriel, o amigo argentino que fiz no dia anterior.

Era a minha primeira experiência em 12 dias de viagem em que compartilharia com alguém as decisões de para onde-como-porque ir, visitar alguma coisa ou não, andar pelas ruas ou pegar ônibus, parar para comer ou tomar café, decidir se para esquerda ou direita. Por isso mesmo, podia ser bom e podia ser ruim.

Foi bom. Porque não tínhamos grandes expectativas, havia o mesmo sentimento de ir ver o que aquilo era e não havia cobrança, horários e compromisso, o que pode arruinar uma viagem. E ademais, eu estava muito cansada de falar inglês-espanhol-português-de-portugal e Gabriel ouvia pacientemente minhas palavras em bom brasileiro, que eu misturava com o espanhol.

Desse dia não tenho fotos, porque, por algum motivo, a câmera que deixei carregando durante a noite e mostrou a luzinha verde, ficou sem bateria. Gabriel ainda me deve as fotos dele.

Pegamos um ônibus até uma praça, acho que ali era a Plaza d'Espanya, onde parei numa lan house para ver a situação de troca de datas do hotel de Paris e da volta para São Paulo. Isso me afligia.

(Nessa altura, eu, que esperei tanto pra chegar a Barcelona, não via a hora de ir embora de lá. Coisas que acontecem em viagem. E aprendi ali que não é necessário gostar de tudo. Realmente, tive um problema com a cidade. Lisboa tinha sido perfeita, e eu queria seguir em frente, tinha mais 2 dias de apê do Jair e depois ia ter que ficar me virando naquela cidade que me parecia uma invasão de alemães, que era em muitos momentos um metrô lotado a céu aberto, isso por mais 5 dias, que me pareciam mais tortura que férias).

Gabriel tinha um notebook, mas precisávamos achar um lugar com "uifí" (como eles falam "uaifái"). Então, seguimos, independente disso, a caminhar e achar a escadinha que nos levaria a uma parte do cume do Montjuic.

Demos de cara com o tal do Poble Espanyol. Ô, coisa pra turista. Ruim. Eu não paguei por causa da carteirinha, mas depois, andando por lá, falamos sobre a roubada de 15 euros em que estávamos. Na verdade, eu não falava "roubada", eu falava "enganação", ou algo assim. Em português mesmo. E ele entendia, óbvio, porque os 15 euros dele é que doíam, enganados.

Esse treco é como se fosse uma vilinha, cada construção remete a uma região/país/cidade espanhola, e têm a construção "como se fosse" da data da plaquinha afixada na porta do estabelecimento, que vende "artesanatos", ou seja, imãs de geladeira etc. Difícil explicar, mas seguramente, não vale.

Pra não dizer que é horrivelmente nada a ver, a vista é maravilhosa. E tem um museu dentro, onde vimos umas esculturas do Dalí, umas gravuras do Miró, umas "cerâmicas" do Picasso (ele brincava de massinha às vezes) e umas contemporaneidades estranhas, mas divertidas quando olhadas em dupla. Isso porque eu tinha as minhas reflexões e pensamentos sempre só pra mim e meu caderninho, e pela primeira vez, podia dizer "joder! qué mierda eso, no?" ou "aaahhhh, mira eso!!". E falar sobre. Discutir. Rir. Etc.

Fora que me aproveitei do fato de ele ser hispano-hablante pra "pede pra mim?". E ele sempre começava ou terminava os pedidos com um "mi amigo" tão carinhoso que me sentia feliz em ser latinoamericana e não europeia.

Andamos prum lugar com uma construção cheia de nomes de presidentes europeus e uma fonte ENORME. Não era uma fonte, era uma cascata gigante, sei lá; um gramado lindo, um dia lindo. Depois, o tal estádio, o "bonde" pra descer a "serra", e chegar de volta à maluquice da Rambla.

Combinamos de ver um filme mais tarde, ele iria pro hotel e depois falaríamos. Fui pra "casa", e qual supresa: a fechadura (que já tinha problema mesmo, mas eu já sabia a manha) tinha sido trocada!!! Só que não havia um aviso nem nada sobre. E eu, com medo de quebrar a chave da casa alheia, comecei a tocar pelo interfone em números aleatórios para que alguém atendesse e eu explicasse a situação (je-sus, em espanhol da argentina, meio brasileiro...). Eram 23h.

Fernanda: "Hola, ¿qué tal? Desculpame, estoy en el primero isquierda, pero la llave no se puede, no sé qué pasa..."

Um homem começa a gritar pelo interfone: "*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("

Fernanda: "Cómo????"

Um homem continua a gritar pelo interfone:"*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("

Fernanda pensa: "Ai, caraças, que que eu vou fazer agora?????"

Eis que surge o anjo loiro que eu nunca soube o nome (Jair sabe), ela mora no predinho e tem um bar/restaurante embaixo e me viu na situação.

anja loira: "Hola, yo tengo la llave, es que cambiaran hoy, y no pusieron un afiche para que la gente que no estaba pudiera saber, dale, dale, que yo abro para ti"

Fernanda: "Ay, qué buenísimo, te agradezco mucho, ay, qué bueno, qué pasó, cambiaran y...?"

anja loira: "Si, si, estava como podrido, y cambiaron, no sé quién fué a darles las llaves a todos pero, claro, no pensó en lo que no estaban"

Fernanda: "claro, yo sali temprano... bueno, y ahora, qué hago?"

anja loira: "Dale, tienes que hablar con Pepito, del Atrio segundo"

Fernanda: "Pero, ahora? A las 23h?"

anja loira: "Si, no hay nada"

Fernanda: "gracias tanto, muchas gracias, fuiste maravillosa"

anja loira: "Voy a poner un afiche ahí, tienes razón"

etc.

O homem que gritava pelo interfone:"*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("
continuou, mas dessa vez eu encontrei com ele na escada. Era do meu tamanho, peludão, de regata, PUTO com a minha presença, parecia puto E catalão, porque apesar de eu falar e entender espanhol, aquele cara devia falar catalão, porque eu não entendia nada.

E não havia conversa mesmo: eu falava, ele respondia (na verdade, ele não parava de falar, desgovernada indignação), e a gente ia subindo os 5 lances de escada em busca de Pepito, o cara da chave.

Bati na porta do Pepito, o outro praguejando na minha orelha por 5 andares e um pouco de térreo: o Pepito abre a porta vestidinho com aquele pijama clássico branco com listrinhas azuis, camisa e calça. Super bonzinho e calmo e velhinho e me deu a chave e foi um doce, o Pepito. Me desculpei muito pela hora e ele só me devolveu em sorriso velhinho e listrado.

Nessa hora, eu achei que já estava com a razão, e comecei a descer, e então o baixinho peludo e mala ia parar. Que nada. Continuou, e eu " deve ser catalão aquilo, mas eu entendo catalão, não, não é possível, deve ser mouro, deve ser grego, deve ser bárbaro, de ser visigodo".

Seguimos descendo até o andar dele (segundo, terceiro?), e eu desci mais, até entrar em casa, e entrar direto no banho, pra tentar esquecer aquilo.

Impossível. Tomei banho, comi, falei com o Gabriel por SMS, mas na minha cabeça estava o #()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$.

Liguei pro Gabriel levar água mineral (essa coisa de água da torneira é coisa de europeu, eles bebem assim, mas o gosto é horrível, e eu quero é a mineral) e tal. Levou. E vimos Os Simpsons, O Filme. É ótimo ver como as nossas vozes são melhores, apesar de parecidas.

Mas na verdade eu vi só até a hora do "porco aranha". Dormi profundamente logo depois disso.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Modernismo e cinema (Dia 11 - 24.maio)

Pelo fato de estar numa casa de verdade, sem ninguém pra me ver acordar, tomar café e banho, pegar coisas na mala e essas coisas, acabei dormindo até mais tarde. Tarde mesmo, tipo 13h. A vida no hostel traz a vantagem de você acordar cedo. Eu odeio acordar cedo desde criança e me aproveitei do fato de que na primavera na Europa (deve ser o solstício) o sol se põe lá pelas 10 da noite. Então, um dia que começasse ao meio dia seria bem proveitoso no que diz respeito às horas de sol. Assim, em média, eu andava 10, 12 horas por dia. Saindo ao meio dia. Desfrutando as férias (dormindo) até o meio dia. E dormindo bem depois da meia noite. (Tem hífen essa coisa toda de meio dia e noite? Fiquei com preguiça de checar.)

Mas tem lugares que fecham às 18h, então eu tinha que ficar de olho no roteiro do dia seguinte sempre. E o meu dia 11 foi ótimo: casas modernistas, o bairro de Gràcia, um cineminha no "fim da tarde" e a volta a Barceloneta.

Ah, as casas modernistas de Barcelona. Que prazer.

Comecei pela Casa Amatler, onde acabei não entrando porque o dia era eterno, mas o horário de funcionamento das outras casas, mais interessantes, não. Ali, só comprei muitos chocolates pro meu irmão (Fred, tinha de todos os tipos, te imaginei lá..). A casa foi desenhada para um chocolatieur, chocolatedor, fazedor de chocolates, qué sé yo? E por isso, há chocolates maravilhosos ali.

Uma é do lado da outra. Da Amatler, fui pra Casa Batlló. Uma casa-casa que o Gaudí projetou pruma família cheia da grana (a família Batlló). Casa. De morar. Impressionante.

Eu digo isso assim IMPRESSIONANTE porque a coisa é desesperadora de tão linda em todos os detalhes. Minhas fotos não estão à altura, mas tem umas boas. No mínimo, engraçadas e parte da galeria "como tirar fotos de si proprio viajando sozinho".

A casa tem mil detalhes lindos e só estando lá; aí vão algumas fotos.


metalinguagem: a foto da foto. isso será retomado quando eu falar do Louvre.


pra você, Max, um sorriso (meio cansado...)


a fachada da Batlló


l




Da Batlló, segui para a Casa Milà, mais conhecida como La Pedrera.





ainda na batllò


a japa falou pra eu abrir os braços; pelo menos, foi o que entendi


(ainda é casa Batllò)

Fui ao cinema logo depois, flime "Genova", um filme ingles, dublado em espanhol. ótimo voltar pra casa depois (voltei andano, mesmo)

Andei tanto depois (voltei a pé) , que resolvi me dar de presente uma cava e uns pulpitos:


o garçon paquistanês tirou a foto de fernanda e a cava


pulpito prestes a ser comido


eles, pulpitos, ainda intactos

amanhã tem mais. conheci argentinos maravilhosos nessa noite. falo delesm amanhã.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

La vie en rose ou Um dia de dona de casa (Dia 10 - 23.maio)

Dormi no campo de concentração num colchão sem lençol ("las sábanas son 2 euros, guapa"), agarrada com minha mochilinha, de sapato e tudo. Queria que as 5 horas de sono passassem rápido pra eu correr pra casa do Jair. Difícil, pois ali onde fica o hostel A&A a galera fica nas ruas até altas da madrugada basicamente gritando e quebrando umas garrafas.

Devo dizer que não sou uma pessoa consumista. Quando cheguei em São Paulo, o que trouxe da viagem cabia numa mesinha de centro. Me divirto mais vivendo que comprando. Ou talvez seja, sim, consumista, mas de uma forma diferente. Basta ver que um mercadão me traz felicidade e eu trouxe um pedaço de porco defumado e trufado na mala. O problema é que dentre essas poucas coisas estavam um monte de enlatados maravilhosos que comprei em Lisboa (tem até ova de bacalhau), tinha os 2 vinhos que ganhei na degustação, tinha os malditos guias que eu levei a mais e não podia me desfazer porque são da biblioteca do jornal, um sapato e um tênis a mais etc. Muitos quilos.

(Depois piorou: o volume era o mesmo, mas o peso aumentava a cada cidade por conta de latas, garrafas, pedaços de porco. Por isso, em cada cidade eu deixei um monte de coisas: camisetas velhas que eu tinha pena de me desfazer, tênis idem, cosméticos, jornais e por aí vai, até um cadeado de bicicleta _ãhn, pra que eu levei isso? o medo de me levarem a mala no trem era tão grande??)

Então, por causa do peso não saí CORRENDO pro Jair, peguei um taxi mesmo, o primeiro da viagem, era perto, foi barato, mas o Jair não tava pronto, fiquei uma hora na pracinha olhando pro nada (mentira, eu li um jornalzinho inteiro, de dois dias antes, que tava jogado no canteiro) sentada na mala esperando a hora de tomar banho, abrir a mala, cortar as unhas, ligar a TV, dormir. E tirar a marca estranha que a cidade imprimiu em mim. A marca boa era pra ficar.

(A moda entre os jovens em geral em Barcelona, aliás, é uma coisa meio tuareg, meio arábia, meio moura, calças-aladim, sapatos de couro bruto costurados a mão, muito dread e panos na cabeça e pescoço _é bonito, mas fica feio ver TODO mundo assim na micareta).

Bom, recomendações feitas, explicações sobre o funcionamento das coisas, onde deixar chaves, telefone de um cara caso necessário e Jair seguiu pra sua viagem com a Palena. E eu quase chorei de emoção e arranquei tudo-tudo-tudo da mala e fiquei pelada, e continuei ouvindo o rádio que já tava ligado, e dancei e cantei, e comecei a lavar roupa (a máquina lavava E secava logo na sequência), e liguei a TV e comecei a adorar o catalão, sem entender nada e entendendo tudo, porque tem umas palavras iguaizinhas, mesmo na pronúncia.


O apê.

Passei a tarde arrumando coisas, separando outras pra deixar por Barcelona, organizando papéis, lavando muitas roupas, tirando esmalte, me divertindo com programas péssimos na TV. Daí, saí pra comprar água, comida, jornal (é, eu lia jornal). Andar pelo bairro da Barceloneta. Que é um bairro antigo, cheio de velhinhos que vivem ali desde que nasceram e vivem em situação difícil por conta do estado dos imóveis decadentes e sem ajuda do Ayuntamiento (a prefeitura) pra nada. E com uma invasão de turistas, que como "eu", alugam os apês na beira da praia para passar o calor europeu (ainda é primavera, no verão a coisa deve ficar pior pra eles, que reclamam muito do modo como as pessoas de fora se comportam. É assim em todo lugar turístico, na verdade.)

Estava quase tudo fechado, menos os mercadinhos dos paquis, que não fazem a siesta e costumam ficar abertos mesmo até a madrugada, dependendo do caso, do local e da natureza do estabelecimento. E ele me indicou um outro mercado onde eu poderia comprar verduras.

Então, a única refeição cozinhada por mim na viagem toda!

Os ingredientes:


Couscous marroquino, aspargos frescos, alcachofras, corações de alface.


Acompanhava um pão gostoso, um pouco de salame, um ovo (estava sentindo falta de comer ovo!), levava bastante alho e azeite tudo, que disso é feita uma vida boa. A saladinha com limão siciliano, e umas azeitonas com pimientos.

Nada muito sofistiquê, mas muito gostoso. Apesar de os aspargos e as alcachofras terem passado do ponto de cozimento, já que nunca tinha cozinhado num fogão elétrico, o que faz toda a diferença; eu não entendia como controlar a intensidade do calor, e mesmo depois de desligado, claro, ele continua quente. Mas ficou bom, ficou ótimo, ficou dos deuses, só porque fui eu quem fez e porque eu sabia exatamente o que estava comendo. E olhando agora, faltou cor nesse prato, Só tinha verde e amarelo!!

Descansei mais, dormi, e resolvi sair para dar uma volta mais tarde.

Do lado de casa, tomei uma caña escrevendo no meu caderninho, e ajudei o moço da mesa ao lado a se comunicar com o garçom, já que falava inglês e espanhol. Expliquei pro garçom o que ele queria e seguimos conversando.

Essa coisa de viajar sozinha é interessante, porque acabei conhecendo um americano-californiano de origem persa chamado Shar (é o diminutivo, o nome mesmo é Shahriar e eu tive que olhar no bloquinho). Ele estava num congresso de cardiologia, e eu, amante de todos os seriados médicos dos EUA, comecei a falar sobre E.R., Grey's Anatomy, Scrubs... Shame on us, porque nem ele era cirurgião e nem eu sabia tanto de medicina. E falamos bastante sobre a situação dos jornais nos EUA (que está periclitante), no Brasil, as diferenças técnicas, gráficas e jornalísticas e tal. Foi legal. O jornal e a medicina.

Saímos pra caminhar e tomar uma caña na frente das docas, lugar lindo. Tomamos mesmo só uma, porque o objetivo dele era ir pro cassino da Vila Olímpica e o meu, ir pro sofá-cama de casal com direito a TV e sanduichinho de salame pré-capotamento.


Eu e Shar, que disse ser republicano, capitalista e ter nariz de judeu, o que segundo ele, lhe confere sorte e dinheiro nas negociações de trabalho.

Sagrada seja. Amém. (Dia 9 - 22.maio)

Como eu disse, esse era o dia de me mudar para o segundo albergue. Era 2 euros mais barato, do "lado bom" da Rambla e me pareceu acolhedor, pequeno, pouca gente, dava pra usar a cozinha e também a internet de madrugada.

Cheguei cedo e dormi no sofá da salinha esperando o checkin. Pensei no plano do dia: Sagrada Família, Parc Güell etc até chegar a hora de conhecer minha nova acomodação. Bem, as instalações comuns era bem agradáveis, mas na hora de chegar no quarto vi que tinha mudado da cadeia pro... campo de concentração!! HAHAHAHA.




Acho que eram 10 ou 11 beliches. Não tinha armário, então ficava tudo espalhado pelo chão.
Olhem a quantidade de gente, minha gente!


Bom, seria só mais aquela noite. Já tinha combinado com o Jair minha estadia no apartamento dele, já que ele ia viajar por 4 dias. Fui em busca da loucura da igreja Sagrada Família, projeto que o Gaudí começou a tocar em 1883 e ainda não está terminado. E falta coisa ainda, viu?

Antes, passei no Mercado Boquería, ali na Rambla. Lindo, lindo. E as coisas ali dentro me fizeram voltar a ser feliz novamente.










Não dá pra colocar todas as fotos aqui, então dêem uma olhada no Picasa.


Isso preto à dir. são os Dátils que comi com o argelino.

Fiz um kit de tapinhas com vários tipos de conservas (azeitonas com amêndoas, azeitonas "cruas", peperoncino com queijo feta, azeitonas com anchovas em conserva, anchovas frescas, polvinhos, e coisas que tenho que olhar nas fotos pra lembrar). Dois pãezinhos e um bocado de jamon serrano (tirado direto da perna do bicho). Só faltou uma cava, mas preferi carregar uma garrafona d´água.

Daí, resolvi também arriscar num tour nesses ônibus turísticos. Fazia quase 10 dias que eu andava anaisano os mapas, descobrindo coisas, me perdendo (o que é ótimo), resolvendo roteiros etc. E já que estava naquela cidade tão turística (tinha umas horas meio aflitivas, parecia uma micareta sem fim), resolvi ser guiada e ver no que aquilo ia dar. E foi bom, porque esses ônibus você os pode tomar em qualquer paragem do roteiro e subir e descer quantas vezes quiser durante o dia. Assim, eu ia olhando as coisas, descansando os pés, matando a saudade do português da terrinha no áudio do busão, conhecendo histórias e dados que não conheceria. Lá fui.

Bom, não vou contar toda a história da Sagrada. Uma coisa que indico para quem for é pegar o aúdioguia na entrada (4 euros) e se deliciar com a explicação das coisas. Sim, porque TUDO, absolutamente TUDO tem um porquê. E é tudo muito lindo, louco e genial. Até pra subir no alto de uma das torres tem que pagar o elevador, mas vale a pena.


A fila do elevador.


A obra-prima e a obra-obra.


Ô, lá em casa... Eu quero esses picapedreros!


Can you please take a picture? (without the bus, PLEASE?)



O autorretrato ficou melhor.


Uma vista lá de cima.

Saí de lá bem feliz, apesar da horda de turistas e suas câmeras maravilhosas, e fui pro Parc Güell de busãotur. Lindo também, mas muito cheio. Achei um cantinho num gramado e parti pra minha farofinha deliciosa.



Nham!



sonequinha no Güell. Sério, em todo parque e praia etc, eu dormia de babar.

Saí do parque mais feliz e fui pegar o busãotur pra o Camp Nou, o estádio do Barça. Aliás, a cidade estava tomada por bandeira, bandeirolas, paninhos, panões, tudo que se referia ao time, que dali a 5 dias ganharia a Copa dos Campeões em cima no Manchester. Mas o estádio já estava fechado, então peguei o busãotur de volta para a Plaza Catalunya, donde fui para a Rambla comer carne pela primeira vez na viagem! Estava com preguiça de ficar procurando, então entrei no primeiro restaurante "para fumadores". É que diferente de SP, em Barcelona a coisa é inteligente e democrática: quem quer fumar, fuma, quem não quer, não fuma. Ponto. Então tem pra os dois gostos, e as pessoas decidem o que querem fazer. Ponto.

Aqui, comi o menu do dia (todo lugar tem isso, Lisboa, Barça, Paris, provavelmente outros países: é como um menu executivo. Você come uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, em alguns lugares ainda tem vinho, água e café. E sai por uns 12 euros em média. E é comida para caraças!): gazpacho, vitela com cogumelos e fritas, troquei a sobremesa pelo vinho e tomei um cafezinho.




Eles são melhores nos pescados. Ou era esse restaurante que nem era tão bom.

Pronta para dormir e acordar cedinho para mais uma troca de casa. Dessa vez, só poderia melhorar.