quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um dia de fúria (Dia 12 - 25.maio)

Saí de casa meio tarde. Meu plano do dia era ir à Montjuic.

Eu não sabia exatamente o que encontrar ali. Sabia pelo guia que era um morro, meio parque, com atrações turísticas e não-turísticas, com parque de diversões, Fundação Miró (uma das coisas pretendidas, mas que por ser segunda, estava fechado), umas construções da época das Olimpíadas de 92, o estádio do esqueci-o-time, uma fonte luminosa como a do Ibirapuera etc. Combinei de ir com o Gabriel, o amigo argentino que fiz no dia anterior.

Era a minha primeira experiência em 12 dias de viagem em que compartilharia com alguém as decisões de para onde-como-porque ir, visitar alguma coisa ou não, andar pelas ruas ou pegar ônibus, parar para comer ou tomar café, decidir se para esquerda ou direita. Por isso mesmo, podia ser bom e podia ser ruim.

Foi bom. Porque não tínhamos grandes expectativas, havia o mesmo sentimento de ir ver o que aquilo era e não havia cobrança, horários e compromisso, o que pode arruinar uma viagem. E ademais, eu estava muito cansada de falar inglês-espanhol-português-de-portugal e Gabriel ouvia pacientemente minhas palavras em bom brasileiro, que eu misturava com o espanhol.

Desse dia não tenho fotos, porque, por algum motivo, a câmera que deixei carregando durante a noite e mostrou a luzinha verde, ficou sem bateria. Gabriel ainda me deve as fotos dele.

Pegamos um ônibus até uma praça, acho que ali era a Plaza d'Espanya, onde parei numa lan house para ver a situação de troca de datas do hotel de Paris e da volta para São Paulo. Isso me afligia.

(Nessa altura, eu, que esperei tanto pra chegar a Barcelona, não via a hora de ir embora de lá. Coisas que acontecem em viagem. E aprendi ali que não é necessário gostar de tudo. Realmente, tive um problema com a cidade. Lisboa tinha sido perfeita, e eu queria seguir em frente, tinha mais 2 dias de apê do Jair e depois ia ter que ficar me virando naquela cidade que me parecia uma invasão de alemães, que era em muitos momentos um metrô lotado a céu aberto, isso por mais 5 dias, que me pareciam mais tortura que férias).

Gabriel tinha um notebook, mas precisávamos achar um lugar com "uifí" (como eles falam "uaifái"). Então, seguimos, independente disso, a caminhar e achar a escadinha que nos levaria a uma parte do cume do Montjuic.

Demos de cara com o tal do Poble Espanyol. Ô, coisa pra turista. Ruim. Eu não paguei por causa da carteirinha, mas depois, andando por lá, falamos sobre a roubada de 15 euros em que estávamos. Na verdade, eu não falava "roubada", eu falava "enganação", ou algo assim. Em português mesmo. E ele entendia, óbvio, porque os 15 euros dele é que doíam, enganados.

Esse treco é como se fosse uma vilinha, cada construção remete a uma região/país/cidade espanhola, e têm a construção "como se fosse" da data da plaquinha afixada na porta do estabelecimento, que vende "artesanatos", ou seja, imãs de geladeira etc. Difícil explicar, mas seguramente, não vale.

Pra não dizer que é horrivelmente nada a ver, a vista é maravilhosa. E tem um museu dentro, onde vimos umas esculturas do Dalí, umas gravuras do Miró, umas "cerâmicas" do Picasso (ele brincava de massinha às vezes) e umas contemporaneidades estranhas, mas divertidas quando olhadas em dupla. Isso porque eu tinha as minhas reflexões e pensamentos sempre só pra mim e meu caderninho, e pela primeira vez, podia dizer "joder! qué mierda eso, no?" ou "aaahhhh, mira eso!!". E falar sobre. Discutir. Rir. Etc.

Fora que me aproveitei do fato de ele ser hispano-hablante pra "pede pra mim?". E ele sempre começava ou terminava os pedidos com um "mi amigo" tão carinhoso que me sentia feliz em ser latinoamericana e não europeia.

Andamos prum lugar com uma construção cheia de nomes de presidentes europeus e uma fonte ENORME. Não era uma fonte, era uma cascata gigante, sei lá; um gramado lindo, um dia lindo. Depois, o tal estádio, o "bonde" pra descer a "serra", e chegar de volta à maluquice da Rambla.

Combinamos de ver um filme mais tarde, ele iria pro hotel e depois falaríamos. Fui pra "casa", e qual supresa: a fechadura (que já tinha problema mesmo, mas eu já sabia a manha) tinha sido trocada!!! Só que não havia um aviso nem nada sobre. E eu, com medo de quebrar a chave da casa alheia, comecei a tocar pelo interfone em números aleatórios para que alguém atendesse e eu explicasse a situação (je-sus, em espanhol da argentina, meio brasileiro...). Eram 23h.

Fernanda: "Hola, ¿qué tal? Desculpame, estoy en el primero isquierda, pero la llave no se puede, no sé qué pasa..."

Um homem começa a gritar pelo interfone: "*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("

Fernanda: "Cómo????"

Um homem continua a gritar pelo interfone:"*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("

Fernanda pensa: "Ai, caraças, que que eu vou fazer agora?????"

Eis que surge o anjo loiro que eu nunca soube o nome (Jair sabe), ela mora no predinho e tem um bar/restaurante embaixo e me viu na situação.

anja loira: "Hola, yo tengo la llave, es que cambiaran hoy, y no pusieron un afiche para que la gente que no estaba pudiera saber, dale, dale, que yo abro para ti"

Fernanda: "Ay, qué buenísimo, te agradezco mucho, ay, qué bueno, qué pasó, cambiaran y...?"

anja loira: "Si, si, estava como podrido, y cambiaron, no sé quién fué a darles las llaves a todos pero, claro, no pensó en lo que no estaban"

Fernanda: "claro, yo sali temprano... bueno, y ahora, qué hago?"

anja loira: "Dale, tienes que hablar con Pepito, del Atrio segundo"

Fernanda: "Pero, ahora? A las 23h?"

anja loira: "Si, no hay nada"

Fernanda: "gracias tanto, muchas gracias, fuiste maravillosa"

anja loira: "Voy a poner un afiche ahí, tienes razón"

etc.

O homem que gritava pelo interfone:"*(@#()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$*@#$¨*("
continuou, mas dessa vez eu encontrei com ele na escada. Era do meu tamanho, peludão, de regata, PUTO com a minha presença, parecia puto E catalão, porque apesar de eu falar e entender espanhol, aquele cara devia falar catalão, porque eu não entendia nada.

E não havia conversa mesmo: eu falava, ele respondia (na verdade, ele não parava de falar, desgovernada indignação), e a gente ia subindo os 5 lances de escada em busca de Pepito, o cara da chave.

Bati na porta do Pepito, o outro praguejando na minha orelha por 5 andares e um pouco de térreo: o Pepito abre a porta vestidinho com aquele pijama clássico branco com listrinhas azuis, camisa e calça. Super bonzinho e calmo e velhinho e me deu a chave e foi um doce, o Pepito. Me desculpei muito pela hora e ele só me devolveu em sorriso velhinho e listrado.

Nessa hora, eu achei que já estava com a razão, e comecei a descer, e então o baixinho peludo e mala ia parar. Que nada. Continuou, e eu " deve ser catalão aquilo, mas eu entendo catalão, não, não é possível, deve ser mouro, deve ser grego, deve ser bárbaro, de ser visigodo".

Seguimos descendo até o andar dele (segundo, terceiro?), e eu desci mais, até entrar em casa, e entrar direto no banho, pra tentar esquecer aquilo.

Impossível. Tomei banho, comi, falei com o Gabriel por SMS, mas na minha cabeça estava o #()&@$&())p#@khdjkhsa&(*¨@#&*%$.

Liguei pro Gabriel levar água mineral (essa coisa de água da torneira é coisa de europeu, eles bebem assim, mas o gosto é horrível, e eu quero é a mineral) e tal. Levou. E vimos Os Simpsons, O Filme. É ótimo ver como as nossas vozes são melhores, apesar de parecidas.

Mas na verdade eu vi só até a hora do "porco aranha". Dormi profundamente logo depois disso.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Modernismo e cinema (Dia 11 - 24.maio)

Pelo fato de estar numa casa de verdade, sem ninguém pra me ver acordar, tomar café e banho, pegar coisas na mala e essas coisas, acabei dormindo até mais tarde. Tarde mesmo, tipo 13h. A vida no hostel traz a vantagem de você acordar cedo. Eu odeio acordar cedo desde criança e me aproveitei do fato de que na primavera na Europa (deve ser o solstício) o sol se põe lá pelas 10 da noite. Então, um dia que começasse ao meio dia seria bem proveitoso no que diz respeito às horas de sol. Assim, em média, eu andava 10, 12 horas por dia. Saindo ao meio dia. Desfrutando as férias (dormindo) até o meio dia. E dormindo bem depois da meia noite. (Tem hífen essa coisa toda de meio dia e noite? Fiquei com preguiça de checar.)

Mas tem lugares que fecham às 18h, então eu tinha que ficar de olho no roteiro do dia seguinte sempre. E o meu dia 11 foi ótimo: casas modernistas, o bairro de Gràcia, um cineminha no "fim da tarde" e a volta a Barceloneta.

Ah, as casas modernistas de Barcelona. Que prazer.

Comecei pela Casa Amatler, onde acabei não entrando porque o dia era eterno, mas o horário de funcionamento das outras casas, mais interessantes, não. Ali, só comprei muitos chocolates pro meu irmão (Fred, tinha de todos os tipos, te imaginei lá..). A casa foi desenhada para um chocolatieur, chocolatedor, fazedor de chocolates, qué sé yo? E por isso, há chocolates maravilhosos ali.

Uma é do lado da outra. Da Amatler, fui pra Casa Batlló. Uma casa-casa que o Gaudí projetou pruma família cheia da grana (a família Batlló). Casa. De morar. Impressionante.

Eu digo isso assim IMPRESSIONANTE porque a coisa é desesperadora de tão linda em todos os detalhes. Minhas fotos não estão à altura, mas tem umas boas. No mínimo, engraçadas e parte da galeria "como tirar fotos de si proprio viajando sozinho".

A casa tem mil detalhes lindos e só estando lá; aí vão algumas fotos.


metalinguagem: a foto da foto. isso será retomado quando eu falar do Louvre.


pra você, Max, um sorriso (meio cansado...)


a fachada da Batlló


l




Da Batlló, segui para a Casa Milà, mais conhecida como La Pedrera.





ainda na batllò


a japa falou pra eu abrir os braços; pelo menos, foi o que entendi


(ainda é casa Batllò)

Fui ao cinema logo depois, flime "Genova", um filme ingles, dublado em espanhol. ótimo voltar pra casa depois (voltei andano, mesmo)

Andei tanto depois (voltei a pé) , que resolvi me dar de presente uma cava e uns pulpitos:


o garçon paquistanês tirou a foto de fernanda e a cava


pulpito prestes a ser comido


eles, pulpitos, ainda intactos

amanhã tem mais. conheci argentinos maravilhosos nessa noite. falo delesm amanhã.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

La vie en rose ou Um dia de dona de casa (Dia 10 - 23.maio)

Dormi no campo de concentração num colchão sem lençol ("las sábanas son 2 euros, guapa"), agarrada com minha mochilinha, de sapato e tudo. Queria que as 5 horas de sono passassem rápido pra eu correr pra casa do Jair. Difícil, pois ali onde fica o hostel A&A a galera fica nas ruas até altas da madrugada basicamente gritando e quebrando umas garrafas.

Devo dizer que não sou uma pessoa consumista. Quando cheguei em São Paulo, o que trouxe da viagem cabia numa mesinha de centro. Me divirto mais vivendo que comprando. Ou talvez seja, sim, consumista, mas de uma forma diferente. Basta ver que um mercadão me traz felicidade e eu trouxe um pedaço de porco defumado e trufado na mala. O problema é que dentre essas poucas coisas estavam um monte de enlatados maravilhosos que comprei em Lisboa (tem até ova de bacalhau), tinha os 2 vinhos que ganhei na degustação, tinha os malditos guias que eu levei a mais e não podia me desfazer porque são da biblioteca do jornal, um sapato e um tênis a mais etc. Muitos quilos.

(Depois piorou: o volume era o mesmo, mas o peso aumentava a cada cidade por conta de latas, garrafas, pedaços de porco. Por isso, em cada cidade eu deixei um monte de coisas: camisetas velhas que eu tinha pena de me desfazer, tênis idem, cosméticos, jornais e por aí vai, até um cadeado de bicicleta _ãhn, pra que eu levei isso? o medo de me levarem a mala no trem era tão grande??)

Então, por causa do peso não saí CORRENDO pro Jair, peguei um taxi mesmo, o primeiro da viagem, era perto, foi barato, mas o Jair não tava pronto, fiquei uma hora na pracinha olhando pro nada (mentira, eu li um jornalzinho inteiro, de dois dias antes, que tava jogado no canteiro) sentada na mala esperando a hora de tomar banho, abrir a mala, cortar as unhas, ligar a TV, dormir. E tirar a marca estranha que a cidade imprimiu em mim. A marca boa era pra ficar.

(A moda entre os jovens em geral em Barcelona, aliás, é uma coisa meio tuareg, meio arábia, meio moura, calças-aladim, sapatos de couro bruto costurados a mão, muito dread e panos na cabeça e pescoço _é bonito, mas fica feio ver TODO mundo assim na micareta).

Bom, recomendações feitas, explicações sobre o funcionamento das coisas, onde deixar chaves, telefone de um cara caso necessário e Jair seguiu pra sua viagem com a Palena. E eu quase chorei de emoção e arranquei tudo-tudo-tudo da mala e fiquei pelada, e continuei ouvindo o rádio que já tava ligado, e dancei e cantei, e comecei a lavar roupa (a máquina lavava E secava logo na sequência), e liguei a TV e comecei a adorar o catalão, sem entender nada e entendendo tudo, porque tem umas palavras iguaizinhas, mesmo na pronúncia.


O apê.

Passei a tarde arrumando coisas, separando outras pra deixar por Barcelona, organizando papéis, lavando muitas roupas, tirando esmalte, me divertindo com programas péssimos na TV. Daí, saí pra comprar água, comida, jornal (é, eu lia jornal). Andar pelo bairro da Barceloneta. Que é um bairro antigo, cheio de velhinhos que vivem ali desde que nasceram e vivem em situação difícil por conta do estado dos imóveis decadentes e sem ajuda do Ayuntamiento (a prefeitura) pra nada. E com uma invasão de turistas, que como "eu", alugam os apês na beira da praia para passar o calor europeu (ainda é primavera, no verão a coisa deve ficar pior pra eles, que reclamam muito do modo como as pessoas de fora se comportam. É assim em todo lugar turístico, na verdade.)

Estava quase tudo fechado, menos os mercadinhos dos paquis, que não fazem a siesta e costumam ficar abertos mesmo até a madrugada, dependendo do caso, do local e da natureza do estabelecimento. E ele me indicou um outro mercado onde eu poderia comprar verduras.

Então, a única refeição cozinhada por mim na viagem toda!

Os ingredientes:


Couscous marroquino, aspargos frescos, alcachofras, corações de alface.


Acompanhava um pão gostoso, um pouco de salame, um ovo (estava sentindo falta de comer ovo!), levava bastante alho e azeite tudo, que disso é feita uma vida boa. A saladinha com limão siciliano, e umas azeitonas com pimientos.

Nada muito sofistiquê, mas muito gostoso. Apesar de os aspargos e as alcachofras terem passado do ponto de cozimento, já que nunca tinha cozinhado num fogão elétrico, o que faz toda a diferença; eu não entendia como controlar a intensidade do calor, e mesmo depois de desligado, claro, ele continua quente. Mas ficou bom, ficou ótimo, ficou dos deuses, só porque fui eu quem fez e porque eu sabia exatamente o que estava comendo. E olhando agora, faltou cor nesse prato, Só tinha verde e amarelo!!

Descansei mais, dormi, e resolvi sair para dar uma volta mais tarde.

Do lado de casa, tomei uma caña escrevendo no meu caderninho, e ajudei o moço da mesa ao lado a se comunicar com o garçom, já que falava inglês e espanhol. Expliquei pro garçom o que ele queria e seguimos conversando.

Essa coisa de viajar sozinha é interessante, porque acabei conhecendo um americano-californiano de origem persa chamado Shar (é o diminutivo, o nome mesmo é Shahriar e eu tive que olhar no bloquinho). Ele estava num congresso de cardiologia, e eu, amante de todos os seriados médicos dos EUA, comecei a falar sobre E.R., Grey's Anatomy, Scrubs... Shame on us, porque nem ele era cirurgião e nem eu sabia tanto de medicina. E falamos bastante sobre a situação dos jornais nos EUA (que está periclitante), no Brasil, as diferenças técnicas, gráficas e jornalísticas e tal. Foi legal. O jornal e a medicina.

Saímos pra caminhar e tomar uma caña na frente das docas, lugar lindo. Tomamos mesmo só uma, porque o objetivo dele era ir pro cassino da Vila Olímpica e o meu, ir pro sofá-cama de casal com direito a TV e sanduichinho de salame pré-capotamento.


Eu e Shar, que disse ser republicano, capitalista e ter nariz de judeu, o que segundo ele, lhe confere sorte e dinheiro nas negociações de trabalho.

Sagrada seja. Amém. (Dia 9 - 22.maio)

Como eu disse, esse era o dia de me mudar para o segundo albergue. Era 2 euros mais barato, do "lado bom" da Rambla e me pareceu acolhedor, pequeno, pouca gente, dava pra usar a cozinha e também a internet de madrugada.

Cheguei cedo e dormi no sofá da salinha esperando o checkin. Pensei no plano do dia: Sagrada Família, Parc Güell etc até chegar a hora de conhecer minha nova acomodação. Bem, as instalações comuns era bem agradáveis, mas na hora de chegar no quarto vi que tinha mudado da cadeia pro... campo de concentração!! HAHAHAHA.




Acho que eram 10 ou 11 beliches. Não tinha armário, então ficava tudo espalhado pelo chão.
Olhem a quantidade de gente, minha gente!


Bom, seria só mais aquela noite. Já tinha combinado com o Jair minha estadia no apartamento dele, já que ele ia viajar por 4 dias. Fui em busca da loucura da igreja Sagrada Família, projeto que o Gaudí começou a tocar em 1883 e ainda não está terminado. E falta coisa ainda, viu?

Antes, passei no Mercado Boquería, ali na Rambla. Lindo, lindo. E as coisas ali dentro me fizeram voltar a ser feliz novamente.










Não dá pra colocar todas as fotos aqui, então dêem uma olhada no Picasa.


Isso preto à dir. são os Dátils que comi com o argelino.

Fiz um kit de tapinhas com vários tipos de conservas (azeitonas com amêndoas, azeitonas "cruas", peperoncino com queijo feta, azeitonas com anchovas em conserva, anchovas frescas, polvinhos, e coisas que tenho que olhar nas fotos pra lembrar). Dois pãezinhos e um bocado de jamon serrano (tirado direto da perna do bicho). Só faltou uma cava, mas preferi carregar uma garrafona d´água.

Daí, resolvi também arriscar num tour nesses ônibus turísticos. Fazia quase 10 dias que eu andava anaisano os mapas, descobrindo coisas, me perdendo (o que é ótimo), resolvendo roteiros etc. E já que estava naquela cidade tão turística (tinha umas horas meio aflitivas, parecia uma micareta sem fim), resolvi ser guiada e ver no que aquilo ia dar. E foi bom, porque esses ônibus você os pode tomar em qualquer paragem do roteiro e subir e descer quantas vezes quiser durante o dia. Assim, eu ia olhando as coisas, descansando os pés, matando a saudade do português da terrinha no áudio do busão, conhecendo histórias e dados que não conheceria. Lá fui.

Bom, não vou contar toda a história da Sagrada. Uma coisa que indico para quem for é pegar o aúdioguia na entrada (4 euros) e se deliciar com a explicação das coisas. Sim, porque TUDO, absolutamente TUDO tem um porquê. E é tudo muito lindo, louco e genial. Até pra subir no alto de uma das torres tem que pagar o elevador, mas vale a pena.


A fila do elevador.


A obra-prima e a obra-obra.


Ô, lá em casa... Eu quero esses picapedreros!


Can you please take a picture? (without the bus, PLEASE?)



O autorretrato ficou melhor.


Uma vista lá de cima.

Saí de lá bem feliz, apesar da horda de turistas e suas câmeras maravilhosas, e fui pro Parc Güell de busãotur. Lindo também, mas muito cheio. Achei um cantinho num gramado e parti pra minha farofinha deliciosa.



Nham!



sonequinha no Güell. Sério, em todo parque e praia etc, eu dormia de babar.

Saí do parque mais feliz e fui pegar o busãotur pra o Camp Nou, o estádio do Barça. Aliás, a cidade estava tomada por bandeira, bandeirolas, paninhos, panões, tudo que se referia ao time, que dali a 5 dias ganharia a Copa dos Campeões em cima no Manchester. Mas o estádio já estava fechado, então peguei o busãotur de volta para a Plaza Catalunya, donde fui para a Rambla comer carne pela primeira vez na viagem! Estava com preguiça de ficar procurando, então entrei no primeiro restaurante "para fumadores". É que diferente de SP, em Barcelona a coisa é inteligente e democrática: quem quer fumar, fuma, quem não quer, não fuma. Ponto. Então tem pra os dois gostos, e as pessoas decidem o que querem fazer. Ponto.

Aqui, comi o menu do dia (todo lugar tem isso, Lisboa, Barça, Paris, provavelmente outros países: é como um menu executivo. Você come uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, em alguns lugares ainda tem vinho, água e café. E sai por uns 12 euros em média. E é comida para caraças!): gazpacho, vitela com cogumelos e fritas, troquei a sobremesa pelo vinho e tomei um cafezinho.




Eles são melhores nos pescados. Ou era esse restaurante que nem era tão bom.

Pronta para dormir e acordar cedinho para mais uma troca de casa. Dessa vez, só poderia melhorar.

Playa y Picasso (Dia 8 - 21.maio)

O segundo dia começou bem. Fazia calor em BCN. Passei num mercadinho, comprei um xampu com instruções em árabe (e era um Pantene qualquer, mas todos os mercadinhos de BCN são de indianos e afins), um queijo brie e um pão e fui pra praia ver o mediterrâneo. Y otras cositas mas.


Tem gente que vai de roupa...


...tem gente que vai sem.


Essa sunga vermelha era fio-dental.




Minha farofinha, com o jornal o dia.

Depois do lanchinho, do jornal e da soneca que tirei, fui pro Museu Picasso. Não sem antes encontrar pelo caminho essas figuras.


Não tive coragem de fotografar de frente. O mais velho parece estar de sunga, mas é uma tatuagem. E na frente, a tatto era de um elefante hindu, e vocês já sabem o que era a tromba (sem querer ser pornográfica, mas o tamanho era impressionante, quase até o joelho!!)


E já depois de ter voltado, colocando em dia a leitura dos blogs que acompanho, olha só o que encontro: esse cara estava lá no mesmo dia que eu. E ele teve a mesma impressão que eu sobre as coisas, então vale uma lida.

Bom, passada a primeira fase do dia. O Museu Picasso é bem bacana. Lá não podia tirar foto, então, não vai ter nada. Recomendo pra quem for. Fica num bairro bem bacana, que chama Born, e que tem um monte de lojinhas legais, e restaurantezinhos, e praças, e tal.

Tentei ir de lá para a Xampanyet, um bar-restaurante super famoso, onde se toma a Cava, um espumante espanhol que eles tomam que nem água. A bebida é barata e servida como rodízio, terminou o copo, tá cheio. O que encarece são as tapas. Mas quando eu cheguei lá às 19h (sim, porque na Espanha tem mesmo a siesta e a maioria dos estabelecimentos fecha das 16h às 19h) não havia lugar nem pra ficar na calçada.


Isso era durante a siesta.

Terminei o dia, então, com uns petiscos e fui dormir minha última noite na prisão. Tinha a esperança de ficar blogando durante a noite/madrugada, mas a internet na cadeia fechava à meia-noite. Fiquei conversando com o recepcionista argelino, que se irritou com minha citação a Camus e me deu uma aula de geopolítica argelina e da ocupação francesa. Ainda comi uns dátils (ver próximo post) com ele e fui dormir ouvindo o disco-depressão de Londres do Caetano. Me sentindo.


Patas de cranc (caranguejo) e vieiras com gambas (camarão). Y una caña. Klebo, amanhã tem carne!!

Barcelona e o choque (Dia 7 - 20.maio)

Quando saí de Lisboa, no dia 20 de maio, não imaginei o que estaria por vir.
Comprei a passagem numa dessas companhias aéreas low-cost, bem comuns na Europa. É como se fosse aquelas promoções de 50 reais para qualquer lugar da Gol, sendo que é como uma promoção eterna. Devo ressaltar que nunca consegui um voo desses da Gol, e no caso de Lisboa-Barcelona, não foi diferente. Não arranjei aquelas famosas de 1 euro, mas foi mais barato e mais rápido que ir de trem.

Em Lisboa ainda, reservei um albergue que me pareceu mais ou menos, era só para passar os 2 primeiros dias mesmo, todos os hostels em Barcelona estavam tomados, não tinha vaga pros dias que eu precisava e eu não percebi o que isso poderia significar. Só entendi chegando lá.

Desço na Plaza Catalunya, um ponto central de Barça, de onde se vai para todos os lugares e onde começa a famosa Rambla. Pois o grande calçadão era uma maluquice de gente pra todo lado, tava meio quente e tinha quase tanta gente por metro quadrado que uma micareta.

Queria deixar as coisas no hostel e ligar correndo para os 3 amigos que tenho morando lá: Jair, Gisele e Gerytsa. Foi o que fiz, e conversa vai, conversa vem, o que TODOS falaram foi: "Ah, voce tá na Carrer del Hospital? Olha, toma cuidado, essa uma rua que você não poderia ficar, tem muito paquistanes, indiano, putas, drogas e roquenrol, eles roubam mesmo, eu já fui assaltada, conheço um monte de gente que já foi assaltada, isso aqui está assim agora, mas tudo bem, você é de São Paulo, ah é, não, é só não andar com a bolsa aberta e tal, eles só pegam turista-otário mesmo ".

Eu pensei: "Peraí: quem anda com a bolsa aberta? Eu sou turista-otário? Por que eles estão me falando isso se eu não sou turista-otário e não ando marcando bobeira nem em retiro budista? Caraças, vou ter que redobrar a atenção".

A questão é que a partir daí, o que estava meio ruim comecou a ficar pior. Explico: além dessa suposta "violência" ("sim, porque te assaltam, mas não com armas, ninguém vai te matar"), o hostel que peguei no bairro do Raval era horrível pra quem vinha do de Lisboa (descobri depois que os da capital portuguesa são conhecidos como os melhores da Europa. No meu, até lavavam nossas roupas DE GRAÇA, por exemplo).

Parecia um presídio, sério. Não era um Carandiru, era uma carceragem mais ou menos. O quarto só tinha uma janelinha que dava para um muro e era tudo cinza e tinha um monte de adolescente falando inglês-italiano-alemão vomitando-gritando-correndo. Nada parecido com o que tinha passado em Lisboa. Nada.




LISBOA: no alto, o janelão ao lado da minha cama;
acima, a sala comum





BARCELONA: no alto, a janelinha da cadeia;
acima, um dos vários corredores estranhos
dos 4 andares (acho) da prisão


Saí pra passear, cansada (tinha acordado às 5 da manhã em Lisboa e era lá pelas 13h), eu já não conseguia mais ver nada como passeio, com a paranoia da mochila, fazendo cara de mau pra qualquer coitado da Ásia que olhasse pra mim. Mas ainda assim, lá me pus a andar, precisava ver a cidade que tanto tempo esperei para ver.

Comecei pelo Barrí Gótic, uma sucessão de ruelas minúsculas, um labirintinho gótico. Lindo. Meio aflitivo depois dos relatos sobre os paquis e o que ocorre nas ruelas, eu ainda não sabia que ali é o outro lado da Rambla e não é como o Raval. Depois de me perder seguidamente pelo labirinto, caí na rua da catedral de Barcelona, e de cara paguei os 5 euros de entrada (aqui em BCN consegui usar a carteirada em poucos lugares). Fiquei meio revoltada porque não achei nada de mais (tinha visto muita igreja em Lisboa) e comecei a me irritar com a cidade.


E ela ainda estava em obras!

Dali, fui comprar um chip pro meu celular pra ficar conectada com os amigos, e minha amiga Gi, da época da faculdade, que estava de 9 meses, foi me encontrar na frente do Palau de la Musica Catalana, onde comi minha primeira paella.


Gi com Alícia na barriga, e eu com a paella

Dali, saímos caminhando (estava programado para a Alícia chegar no dia 19, estávamos no dia 20) e conheci vários cantos legais. A cidade é pequena pra quem mora em São Paulo, e em pouco tempo, tínhamos percorrido um tanto de coisas, até que chegamos na praia, onde estavam Jair e Palena, hospedados na Barceloneta.

Nos encontramos também, nos despedimos de Gi e fomos andar, parando de vez em quando em hotéis, albergues, pensões e afins para ver se achava um lugar melhor pra ficar. Tudo lotado, ou caro, ou tão ruim quanto. Então, fomos tomar umas cañas (chopp) e comer! Batatas bravas, um prato típico catalão (são batatas com um molho BEM forte de páprica, adooooro!)


Um enquadramento esquisito d'a gente feliz no Born


Patatas bravas _e boas!

No fim, eles foram me deixar na rua dos assaltos e o Jair me disse que nem era tão mal assim, ele achou que fosse em outra parte. Mas naquela altura eu já tava influenciada.

Um artiguinho sobre o Raval, que passei a gostar depois de uns dias.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Volver

É estranho escrever sobre tudo o que passou agora que estou de volta. Mas a experiência de escrever e ser acompanhada é ótima, e retomar aqui as aventuras passadas dá um gosto de estar lá ainda.

São Paulo continua a mesma: muda e muda em pouco tempo. Qual não foi meu alívio ao ver que o Bingo Monte Carlo, que fica na frente da minha casa e está fechado há tempos pelo Kassab, não foi demolido para a construção de um prédio que tiraria toda a minha visão do horizonte de prédios. Eu rezava para virar um estacionamento (quem sabe assim os frequentadores da night club Opera, do lado do meu prédio, parassem de fazer suas filas duplas aqui na frente). Mas a reza foi forte, e o Bingo Monte Carlo agora é o Ministério Água Viva, um templo de ganhar dinheiro (pros donos, claro), como seu antecessor. Ufa. Ainda tenho horizonte.

Bom, retomo então o relato dessa viagem maravilhosa do ponto onde parou: deixando Lisboa rumo a Barcelona. Deixando a paz portuguesa pra entrar num mundo completamente diferente, e não menos fascinante.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

je suis vive!

Seguidores deste blog

esta tudo bem, a viagem esta otima, mas esta impossivel atualizar o blog, em barcelona ja era dificil achar internet e aqui em paris isso nao existe! e o teclado frances eh q coisa mais bizarra do mundo, demoro 5 min pra escrever uma palavra. fora que custa um euro por 5 min; ja me foram 9 so nessa brincadeirq aqui.

so digo uma coisa: deveria ter vindo antes para paris!

beijos que estou indo pro louvre!

domingo, 17 de maio de 2009

De onde viemos? ou Para onde vamos? (Dia 4 - 17.maio)

Mais: consegui baixar minhas fotos todas (ate agora) para o Picasa, e o link é esse:

http://picasaweb.google.pt/fernanda.giu/Lisboa02?feat=directlink

Faltam legendas, claro, mas é impossível fazer isso. Cansa e demora. Me avisem se deu certo ou errado o link. E nao reparem, deve ter um monte de foto ruim. Faz parte.


Alguém sabe me dizer se depois que baixei as fotos online no picasa posso deletar da camera? Ou seja, posso pegar as fotos todas em alta depois e tal? Quem souber, responda rapido!

Bom, hoje falarei sobre a parte leste de Lisboa, onde fica a Torre de Belém.

Antes de ir, dei uma passadinha na Sé daqui, que fica bem pertinho do meu hostel. Legal.




a nave e um vitral da Sé de Lisboa

Dali, fui para a vizinha e tradicional e já citada praça do Comercio, onde peguei o superbonde 15 (superbonde porque nao é do antigao - nada a ver com a telefonica) rumo a Belém. Esse bonde é refrigerado, "fala" cada paragem e também nos letreiros internos (os externos sempre funcionam, diz os minutos e é verdade. Pra Sao Paulo ver).

A Torre de Belém é bem famosa e está mesmo em latas de azeite que compramos baratinhas ai no Brasil, por exemplo. E ela é a última parada ao leste das coisas turisticas, entao resolvi ir ate ela e depois ir voltando e passando pelas outras coisas. Perdi a paragem e voltei de autocarro mais duas - meu bilhete Lisboa Card continua funcionando, ou seja, nao paguei.

Da Torre diziam ter partido as caravelas rumo ao Brasil, mas nao foi dali, nao. Acho que ela é de 15oo e tantos, entao dali sairam outras embarcaçoes para outras paragens (paragem é parada, aqui - isso serve para os autocarros, ou seja, onibus). Linda, servia tambem como um forte (como todas essas construçoes que fui e que nao sao igrejas) e ali está tudo explicado. Alias, aqui todos os museus estao muito bem sinalizados, há mesmo uma preocupaçao autentica de modernidade frente a tanta velharia (no bom sentido).

Na Torre, havia sala de refeiçoes, de oraçoes, de conferencias militares, de canhoes, dessas coisas de gente preocupada em descobrir uns além-mares, sabem?


agora sei porque as portugas usam aqueles lenços: aqui venta MUITO, o tempo todo


por isso, passei a andar assim



could you please take a picture?



recorte



ela inteirinha



Tinha uma música sempre rolando ao longe, e eu achei que era na Torre. Uns Frank Sintatras, umas Garotas de Ipanema. Daí, vi que aqui também tem uns bolivianos na praça com aquelas caixas de som, e a flautinha inca-asteca-maia.

De lá, saí andando (é perto) para o tal do monumento Padrao dos Descobrimentos. Nao me perguntem o porquê deste nome, nao descobri. É bonito, mas é meio estranho. Tinha um grupo tocando umas gaitas de fole e nao sei de onde eram. Mas daí sim, acho que as caravelas sairam. Mas que diferença faz agora se daqui ou dali?

Eu queria mesmo era ir pro Mosteiro dos Jerónimos.

No caminho, havia uma degustaçao de vinhos e parei pra ver (e degustar, claro). Depois de uns golinhos, comecei a conversar com o produtor de uma das cavas. Ele me explicou tudo e mais, e eu entendi! Essa coisa meio viada de odores de pinho, almiscar, rosas e notas de madeira nunca me fez a cabeca. Pra mim é: forte, fraco, com mais tanino, com menos, encorpado, menos. Algo mais leigo e feliz. Fiquei em dúvida entre um mais forte e outro menos. Detalhe: custava 3 euros a garrafa. Ele me convenceu a levar o mais forte ("é um vinho que se mastiga"). Ok. No fim, chegou me dizendo, com uma embalagem profissional, que ia me DAR os dois que eu queria. Tentei nao aceitar por 10 minutos, mas nao houve jeito. Sai feliz com o regalo, mas com um mico de 1 kg e meio nas maos e mais o Mosteiro pra visitar e tal.


esse baldinho era pra cuspir os degustes



o mico do vinho antes do Jerónimos



esse é o mosteiro por dentro, um pedaço



Fernando Pessoa está sepultado aqui. Eu e Ele.

O mosteiro é ótimo e tem uma parte bem legal, que mostra a genealogia da dinastia portuguesa. Entao la vai um infografico genealogico:


nosso d. pedro II é IV para eles. um info


De lá, segui pra famosa pastelaria Pasteis de Belem, que de tao turistico, deixou de ser legal. Era tao cheio que duas venezuelanas me convidaram a sentar na mesa delas (os latinoamericanos sao muito cordiais e por enquanto sao os melhores. Devo confessar que estou fugindo de estrangeiros europeus, porque to com preguiça de falar ingles.) E os pasteis nao sao nada de melhor dos que comi em outros lugares (pros que sabem que eu nao gosto de doces, esse nao é doce, é gostoso, porque nao é exagerado).

Também devo registrar: os lisboetas sao muito mal humorados, eles encaram perguntas como "quanto custa" ou "esse autocarro vai ate o Rossio?" como ofensas, quase. Respondem: "é doishienquanta, oras, nao sabias?" ou "vai shó até o fim, ó pá". É um mal-humor intrinseco. Nash-chido nalish. (traduçao: nascido neles)


Pra completar o dia, saí do mosteiro (tinha saido de casa as 11h, isso ja eram 16h30) e fui ate o Cais do Sodre, uma importante estaçao de comboios, metro e autocarros, que ainda tem ao lado a estaçao fluvial para Cacilhas.

Cacilhas fica do outro lado do Tejo, e o barco que vai até lá custa 2,12 ida e volta (aqui os cêntimos, como sao chamdos valem de verdade, eu tenho um monte de moedas de 1 e 2 que servem - a ver se é assim na Europa inteira).

Dura uns 5, 10 minutos a travessia. Cheguei lá sem aguentar mais carregar aquele fardo, mas pensava sempre: duas garrafas de vinho bom de graça. Minhas maos ja estavam vermelhas, pré calo. Eu revezava as maos e o jeito de carregar. O povo me olhava feio. E eu nao queria saber. TInha resolvido ir até o topo de Almada (Ricardo e Laura, estive lá!), onde fica Cacilhas. Mas em Almada fica também o monumento do Cristo Rei, uma cópia barata do nosso CR do Rio. Eu nunca estive na imagem do Rio, entao resolvi subir lá na portuguesa.


eu fui no deles, mas o nosso deve ser melhor

A questao é que bem nesse dia o acesso ao monte esta interditado, e eu sabia que tinha uma procissao/missa ali. Mas achava que nem era nada demais. Esperei o onibus 101 durante uns 10 minutos e descobri por causa de uma velha louca que falava portugues (mas parecia armenio), que o busao nao ia passar. Tinha uns modernos do meu lado e eu resolvi propor rachar um taxi ate onde desse. No caminho, soube que eram do Chipre (onde é esse diabo desse lugar mesmo?).

Saí do taxi e comecei a andar rapido. Queria chegar logo e vi que a coisa era maior do que eu achava. Sem querer ofender ninguem, mas eu nao sou catolica e nem sigo qualquer outra religiao. E quando eu vi, estava como num culto em Aparecida. Juro. Por Deus.

Só que eu já tava muito cansada, e eu tinha ido ali pra ver a tao falada vista (como nao passava onibus, eu tive que subir todas as ruas a pé). E depois, me meter no meio da multidao pra chegar no ponto:


can you please take a picture?

Voltei andando (muito), peguei um autocarro (com umas senhorinhas solicitas) ate o cais, e comi uma açorda de gambas (é um caldo onde eles poem pão e deixam ele inchar com o caldo e depois, por baixo colocam um ovo cru e por cima umas gambas (camaroes grandes), e na sua frente eles misturam caldo, ovo, a gema laranja e mole, as gambas, o pao que se aparece, o cheiro...


ele disse que deveria ter fotografado a parte do ovo

Voltei pra Lisboa e dormi. Com a cabeça cheia de lisbonices.

Proximo post: dúvidas e acertos



Modernidade, consumo e cultura (Dia 3 - 16.maio)

(o post de hoje tem mais fotos, mas ainda nao sei como fazer para virar as fotos verticais, que teimam em sair assim. mayra, clayton, bia, bloggers, me ajudem! nao tenho photoshop aqui! como fazer? enquanto elas nao vir)

Como a virada cultural da noite anterior foi forte, acordei tarde de novo e resolvi ir até a parte mais nova da cidade.

Peguei o métro (que é bem bom) e cheguei na Praça de Espanha, para ir ao Museu Gulbenkian. Parece que o Calouste Gulbenkian era um arménio bilhardário que colecionava arte, e daí fez esse museu/parque/fundaçao lindos.


essa é a lateral de um dos predios enormes, logo na entrada

O lugar é super grande, tem vários espaços, museus, fontes, laguinho, teatro de arena, rincoes escondidos, espelhos dágua: um parque maravilhoso. Tipo do lugar que dá vontade de ter na sua cidade pra poder ir sempre.

Comecei pelo museu de arte antiga. Tinha Egito, Roma, Grécia antigos, tapeçarias e outras cositas de arte decorativa do oriente. Confesso que passei meio rapido por isso. É algo bacana, mas nao me atrai tanto. Aí começava o de arte europeia dos seculos 17 a 19. Ali tinha coisas que eu desconhecia, mas lá estavam Rembrandt, Degas, Manet e Monet, Rodin, Willian Turner (um dos meus preferidos na adolescencia), Corot, uns holandeses ótimos, fora coisas que agora eu esqueço, peças antigas da época pré-revolucao francesa (fico imaginando a hora que eu chegar em Paris, em Versailles, por exemplo). É bem emocaozinha quando você vê aquelas pinceladinhas e entende o porquê de tanto alvoroço. Quando você vê ali, que diferença daquela reproduçao mal feita dos livros... É como se aí sim voce entendesse o valor dos caras.






indo pro museu de arte moderna

Dali, ainda fui ao museu de arte moderna no mesmo parque, e havia coisas preciosas do modernismo portugues, que a gente, claro, nao conhece, e mais outras coisas de figuroes do modernismo. Alem de uns contemporaneos muito bons.

Bia, tinha uma parede pro Fê Lemos nessa parte.


as fotos do grande Fernando Lemos realmente sao sensacionais

Saí de lá com a alma lavadinha. Bem bom. Ah, e na saída, ainda fui a expo do Darwin, que é otima para crinaças e adultos. E olhem so o que havi ali, dentre tantas coisas (quem sabe de minha paixao por suricatos, entende):


um surilouco, cuidando de seu bando confinado

Saindo, me perdi em círculos na Praça de Espanha (fiquei com o mapa igual uma imbecil, sem saber em qual das ruas da rotatória deveria seguir), perguntei prum cara que sabia menos que eu ó pá, e fui andando na rota certa finalmente até a loja de departamentos El Corte Inglés.

Deveria ter desconfiado quando resolvi seguir uma dica de viagem de Danuza Leão (do livro "Fazendo as Malas" que a Bia me emprestou e li em 3 horas): ô lugar caro do caraças!!


a entrada da maluquice

Primeiro que o lugar é tipo uma C&A, mas 874 vezes maior. E tem livros, móveis, cama, mesa e casa de banho, pesca, nautica, armas, masculinas, infantis, jovens, modernas, esportivas, ligeries, pendrive, macintosh, tv, perfumes, cosmeticos, cinema, restaurante, esqueci algo? Claro que sim.

Bom, comecei a ver preços de notebook, e confesso que até valia, mas o problema é o teclado. Resolvi comprar na volta mesmo, peso e paranoia a menos na mala. Fui pra parte de mulheres e depois jovens.

Comprei um tênis, porque o AllStar REALMENTE não presta para caminhadas (e o meu já tem anos, está precisando ir pra doação). E mais uma saia, e mais uma malha, e me controlei pra não comprar um casaco, porque ele era legal, mas nem ficou tao bem, e era caro! Alias, tudo o que eu gostava custava 200 euros. Isso nao e diferente no Brasil. Olho, olho, olho, e quando gosto: 200 reais, ou mais. É o preço do bom gosto (risos).

Apesar de adorar coisa boa, nova, etc, estou muito acostumada a nao gastar, nao só pela falta de dinheiro, mas mais por uma natureza nao consumista, talvez. E aqui, fiquei no "barato". Ah, comprei um guiazinho de Paris, porque o que eu emprestei da Folha é muito grande, e pode ficar de obra de referencia no hotel.

Saí de lá esgotada. Realmente nao gosto de shoppings e tenho real dificuldade e aflicao de coisas como centro de compras. Me parece tao futil, tao asseptico, tanto desperdicio de tempo e dinheiro... Mas estou muito feliz com meu tenis, meus pes agradeceram MUITO. Alias, ja aproveito pra dizer que nao sei se havera presentes, sempre fico achando estranho comprar uns imas de geladeira em formato de galo so pra dizer que isso é "um presente de Portugal". Acho impessoal, e se achar algo com a cara de alguem, levo, contanto que nao me pese na mala. Presentes para mim, fora o tenis, conto no proximo post.

Dali, peguei o autocarro até a praça Marques de Pombal (que parece, foi o cara que reconstrui Lisboa depois do terramoto de 1775). Ali esta o Parque Eduardo VII, que é uma praçona. Já estava escuro (já contei que aqui escurece só lá pelas 21h?). Ali esta a acontecer (risos) a Feira do Livro de Lisboa. Acabou no domingo, 17. Nada mais do que a praça imensa inteira (suas laterais) tomadas por banquinhas de editoras, livreiros, sebos e tal. Mas pra isso, era ncessario tempo e disposiçao, e eu já nao tinha esse ultimo atributo.


olho nessa barraca louca na feira do livro: era uma só de frituras

Segui entao para o Rossio, um das maiores praças e ponto central aqui da cidade velha. Tomei uma sopa de aspargos num restaurante italiano com garçons indianos (aqui tem muito indiano, provavelmente de Goa, uma outra ex-colonia de Portugal e africanos de todas as partes, principalmente das tambem ex-colonias de lá, como Angola, Mocambique, Guine etc). Normalzinho, só pra esquentar a barriga pra fazer a naninha cedo.


o indi estranhou quando pedi azeite

Próximo post: a rota do meu redescobrimento. Se segura, Cabral!

Vestida com as roupas de Jorge (Dia 2 - 15.maio)

(O post de hoje vai sem fotos, porque estou morrendo de preguica de pegar o cabo e fazer todo o procedimento. Depois atualizo com fotos e um texto melhor. Os asteriscos que aparecem ao longo do texto indicam para mim mesma onde devo colocá´las posteriormente, entao relevem. E vai meio sem acento tambem, porque aqui o teclado tambem é muito chato de usar.)

Acordei super tarde por causa da virada da noite anterior. Tomei um banho meio frio e saí pro Castelo de Sao Jorge.

Peguei o bonde (que eles chamam de electrico) 28, um classico dos bondes daqui. Isso porque ele faz um caminho que abarca um monte de lugares legais e turisticos, e sem ser um bondinho turistico mesmo (porque os ha), acaba sendo, mas é mais barato. Eu estou usando o tal do Lisboa Card que comprei, nao me lembro agora se ja tinha falado sobre ele: 33,50 euros, com direito a andar de autocarro (onibus), metro (eles falam métro), electrico, comboio (trem) para Sintra e um monte de descontos em museus e afins. Por 72 horas. Mas acho que o bilhete pegou meu jetlag, porque já se passou o tempo e ele continua funcionando em todos os transportes que peguei, inclusive elevadores e funiculares (que sao uns bondinhos para descer e subir umas ladeiras muito ingremes). Para os museus, nao precisei, porque muitos eram grátis mesmo e outros usei a carteira de imprensa da Folha.

Desci no Miradouro de Santa Luzia *, lindo, o primeiro de muitos que visitei aqui em Lisboa (que é chamada de cidade das sete colinas, e por isso há miradouros por todas as partes. Miradouro é mirante, ó pá!)

Segui andando pelas ladeiras pelo bairro da Alfama, que é aquele bem típico daqui: ruelas estreitas, ingremes, com as casinhas antigas coladas, e um monte de roupa pendurada nas janelas. As ruas tem meio cheiro de Omo.*

Daí, se chega ao Castelo *. Ele propriamente dito, fica dentro das muralhas, onde também ficam mais casinhas e ruelas. E tem gente que mora mesmo ali, nao é só restaurante e loja. Isso torna a coisa mais interessante ainda.

O passeio no Castelo comeca em mais um miradouro, que é um dos mais altos. Depois tem um museu de arqueologia, e daí ele em si. Fui em todas as torres, no periscopio da torre de Ulisses (sim, Seda, é muito legal). Apareceram até uns pavoes, isso mesmo, PAVOES, soltos andando pelo pátio externo. Eles fazem barulho de buzina de estádio de futebol, sério.

Ô, coisa bonita de meu deus esse castelo. Uma coisa. Ele foi construído lá pelo ano 1100, e foi uma das poucas coisas que não desapareceram com o terramoto (é assim que se fala cá) de 1775. Acho que praticamente foi só o que ficou, junto com o bairro da Alfama, ali coladinho. O forte realmente era forte (haverá um capítulo especial para "Piadas Prontas & Histórias da Vida Real em Portugal", aguardem).


primeira carteirada: Castelo com entrada free!


Mais sobre o Castelo quando colocar as fotos (essa eu tinha colocado no rascunho do post), porque senáo nao tem graca.

E por falar nisso, saí do Castelo e segui subindo de bonde 28 para a Graca, que tem uma igreja meio nada de mais, e um miradouro lindo de onde se vé um bom resto de coisas que do castelo nao se ve, alem do proprio. Ali, entei numa pastelaria (padaria) e tomei um café com leite. Isso é importante porque acho que lá se váo uns 3, 4 meses que náo tomo café, com medo da gastrite. Pois nada passou até agora (e já se foram também várias bicas, nome da bebida por aqui). E um pastel de Belém que estava BEM bom.

Ali perto é onde funciona a Feira da Ladra. Como ela só funciona aos sabados e tercas, e nao fui lá ainda, nao sei o significado disso. Espero ir lá na terca agora descobrir.

Voltei de 28 para a cidade baixa, descendo agora em outro miradouro, o de Santa Catarina*. Que é um point de hippies, modernos, jovens, africanos estrangeiros, turistas, e uma perdida sozinha como eu. Fica todo mundo sentado no cháo tomando cerveja e fumando (nao vi nenhum cigarrinho de artista). A vista, mais uma vez, é linda. Fiquei lá bem pouco e desci no primeiro funilcular, o Elevador da Bica. Que náo é nada além de uma descida de ladeira em menos de 1 minuto.

O Elevador da Bica dá na Rua de Sao Paulo, e daí já estava no cais do Sodre de novo, que é na cidade baixa, e de onde saem comboios para Cascais e de onde se atravessa o Tejo para Cacilhas e Almada (vide post do dia 17.maio, ainda por vir)

A noite, meu amigo músico Guto, que conheci nos tempos de Unicamp, e mora aqui em Lisboa há quase 10 anos, acho, ia tocar n'algum lugar. Ele nao me disse onde era nos emails que trocamos antes de eu vir, entáo cacei no Google e encontrei o Ondajazz, que ia ter um show de um brasileiro percussionista. Bom, lá fui eu. Olhei o caminho no Google Maps e era a menos de 500 metros de onde estou, numa escadinha (aqui tem umas ruas que sáo escadinhas e esse é mesmo o nome delas) na frente do Campo das Cebolas.

Cheguei mais cedo para jantar um belo atum com limao e cebolas caramelizadas, mais cogumelos e fritas. Ia fazer uma surpresa pro Guto, mas na hora que o show comecou, a surpresa foi minha: nada dele. O saxofonista era mais novo, com mais cabelo, menos barriga. O cara principal apresentou a banda dizendo que o Guto tinha sido substituido na ultima hora. Eita, pensei. Dai, fiquei lá pra dar um tempinho, e na hora de ir embora, chega o amigo, com o dedo cortado, numa tala. Ficou mesmo surpreso. *

Dai, foi matar saudades, falar mal e bem do Brasil, de Portugal, da vida... E daí conheci um monte de gente legal e acabei chegando "em casa" as 5 da manha. Virada cultural numero 2!

No próximo post: o dia 3 e a parte moderna da cidade. O ótimo Museu Gulbenkian e a impressionante (e aflitiva) loja de departamentos El Corte Inglés, o Parque Eduardo VII, feira do livro e sopa de aspargos.

sábado, 16 de maio de 2009

O começo continua (dia 1 - 14.maio)

Primeiro, que bom saber que estou sendo acompanhada por tão queridas pessoas. Prometo responder um a um nos próximos posts. Ainda estou no efeito retardatário, então ainda é o começo, porque essa coisa de jetlag realmente influi na condição da pessoa. Estamos no fim do meu terceiro dia, os horários ainda estão trocados e ainda falo sobre o primeiro dia. Lá vamos.

Ainda no primeiro dia, depois de andar pela vizinhança do albergue, voltei pra pegar meu quarto e, sim, devo confessar algo: eu rearrumei a mala. Tava tudo mal diagramado, e fiquei um tempo reorganizando as coisas. Tomei uma duche (como cá se fala), coloquei o pijaminha e dormi das 16h às 20h (ou do meio dia às 16h, no meu fuso). Daí, conheci um pessoal da América do Sul: duas peruanas, um panamenho e um mexicano (desgripado). Fomos comer algo e me deliciei com o primeiro bacalhau auténtico, feito da mesma maneira que o famigerado polvo, ou seja, à Lagareira. Eu achava que Lagar era uma cidade, mas descobri que é o local onde se pisam as azeitonas para preparar o azeite (via Wikipedia). É assim: a carne é cozida e depois grelhada, ou melhor, assada em brasa. Daí, por cima se jogam cebolas e alho às fatias, mais coentros (sim, eles falam no plural), batatas à murro e uma piscina de azeite. Ali conheci melhor meus colegas latino-americanos: se conheceram em Madrid, todos estudam sobre direitos humanos lá. Bem bacanas, eles.


o Bacalhau à Lagareiro e a entrada: presunto cru, uma espécie de salame, um queijo de leite de vaca e outro de ovelha (o cremoso), este último já figurando na lista de tops.

Do bacalhau, fomos passear pelo Bairro Alto. É assim: eu estou na Baixa, que é colada ao Chiado, que é colado ao Bairro Alto. Tudo bem pertinho mesmo. O Bairro Alto é tipo uma Vila Madalena, ou talvez mais como o Pelourinho. É lotado de gente, fica bastante bar, restaurante e casas noturnas abertas até alta madrugada. Não é bem o tipo de lugar de que gosto muito, tem muita gente, é uma gritaria só: os jovens portugas andam de capa e gravata _isso mesmo_, e andam gritando, mas a gritar imenso! É um contraponto à quantidade de pessoas velhas que se vê pelas ruas durante o dia. São realmente MUITOS velhos, e bem com cara de velhinhos(as) portugueses(as) bigodudos(as) e mal-humorados(as).). Lá no Pelô daqui se ouve muita música brasileira (mas meio ruim, tipo uns Djavan, aquela música Andança, sabem, essas músicas de barzinho de música ao vivo, aí rola uns "sambas", e é tudo meio mal tocado, e a turistaiada se esbaldando. Tem caipirinha (ruim, provalvelmente) pra todo lado. Eu não tomei, que isso tem no Brasil. E tem umas casas de fado pra turista e umas do chamado "fado vadio", que é o equivalente a quando dizemos "samba de raiz". Ou seja, uma coisa mais de verdade. E mais legal).

Bom, ficamos por ali até tardão e voltamos pro albergue, quando fiquei escrevendo o post anterior. Fui dormir às 5 da manhã. Sei lá quantas horas sem dormir direito. No segundo dia aconteceu o mesmo, e hoje me prometi que vou dormir cedo (apesar dos alemães super barulhentos na sala), então hoje só amanhã.

Estou tentando descobrir um jeito de colocar as fotos no meu Flickr, mas não estou conseguindo fazer isso sem que tenha que subir uma a uma, o que não tem nenhum cabimento. No Picasa, também não consegui em lotes. Se alguém tiver uma dica ou solução, me avise.

No próximo post: o segundo dia, o ma-ra-vi-lho-so Castelo de São Jorge e mais aventuras lusas.

Abraços azeitados.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O começo é o que há (dia 1 - 14.maio)

Como já sabia que ocorreria, minha ansiedade passou no momento que eu entrei no ônibus para o aeroporto de Guarulhos.

Sem atrasos, check-in feito, desisti de comprar um livro naquela livraria ruim do aeroporto (já foi muito boa _ ou foi meu nível de avaliação que subiu?), mas acabei comprando um cartão pra fazer telefonemas desde o exterior da Telefonica, e na mesma hora me senti uma turista enganada em seu próprio país. E eu, que só queria um Eça pra ler em Portugal, fiquei com o Super15.

Rumo a sala de embarque, pensei em comer algo para a gastrite não gritar em meio ao oceano. Uma empanada custava 5 reais, e um mistinho de m*, exorbitantes 15,00! Cuidando do estômago, pensei, pensei. Empanada, plis. Dá na mesma, pelo tamanho e pelo conteúdo.

Sentei pra degustar sem pressa a empanada fajuta (e até boa). Ainda lá teria uma hora de espera. Ô, inveja daquele cara com o laptop. Percebi que a viagem também serviria como desintoxicação de internet, de computador, de Folha, de jornal, de mãe, de pai, de cachorro, de gás, luz, telefone, namorado que não existe, namorado que pode existir. De mim, até.

Aquela carninha que sempre cai da empanada me fez virar o rosto prum lado que seria improvável e não é que dou de cara com Seu Aurélio, o portugues-dono-da-padaria-da-frente-da-folha!

Não. Não é brincadeira:


paparazzing Seu Aurélio



Depois, encontrei a Palena, que namora o Jair, que tá em Barcelona, e é onde vou ficar lá por um tempo. Foi ótimo. Parecia a volta pra ilha de Lost, pra quem acompanha a série.

E embarcamos. Eu, acostumada com voos de madrugada, regados a muita barra de cereal, já tinha começado a me deliciar com o travesseirinho e a manta mais gostosinha do mundo que a TAP nos deu. E ainda tinha tipo uma TVzinha na poltrona da frente. Resultado: horas de diversão garantida. Era touch screen pra lá e pra cá, vários filmes pra escolher, tinha de tudo. Filmes, seridos, música, jogos. Adeus, minhas clássicas Palavras Cruzadas.

Escolhi ver "Gran Torino", do Clint Eastwood, pra ficar em boa companhia durante o voo (ainda não tive oportunidade aqui, mas quero saber como é que essa reforma ortográfica está a ser vista aqui). Depois, vi "O Leitor". Excelentes, os dois. Nesse último, chorei baixo e elegantemente até não poder mais.

Daí, tentei me virar pro lado e dormir, mas era impossível conciliar a dor na lombar com a tentativa zen de cair no sono. Portanto, fui-me à TVzinha. Não é que descobri um programa de culinária de Henrique Sá Pessoa, um moleque meio moderninho que leva um programa de culinária da RTP! (Aí, foi porco preto com amêijoas, comida goesa, uns peixes maravilhosos, batatas a murros e por aí vai. Impossível dormir.)

Além disso, a minha companheira de poltrona me contou que tinha recusado umas 50 viagens (pelo Brasil e pelo mundo) por medo de avião. Eu, relembrando Belchior internamente, segurei na mão trêmula dela e "Saravá"! Ela perdeu o medo e disse que de Lisboa vai pra Praga. Ponto para as mulheres, ponto!

Devo acrescentar que comemos legal> um goulash com arroz amarelo, uma sobremesa de nata e baunilha e coco, um vinho suave e presente, um pãozinho com manteiga. E de "pequeno almoço", com se chama café da manhã por aqui, uma omelete de presunto cru, com saladinha de frutas. E sempre tinha chá, que é meu mais novo vício depois da gastrite.

Passamos uma hora na fila de entrada em Lisboa. Achei ótimo o modo como eles abordam os que chegam: Como vai, és brasileira, que tens a fazer aqui, ah, estas em ferias, que fazes no Brasil, como, de novo, o que, diagramadora, que, como, de novo, ah, acertas as coisas nos jornais, é isso, agora sei o que fazes, sim, e porque viestes a Portugal, ah, em ferias, gostas do fado, gostas de ser velha, gostas tanto assim da comida, nao, aqui nao ha problema, é só não estares por aí a tirar fotos como uma tonta que nao há problema, não é como seu país, tchau, podes entrar.

E entrei. Adoro essa sensação. Devo me lembrar mais dela quando tenho ansiedade por causa de viagem. Aqui em Lisboa talvez não se sinta tanto a coisa de estar fora, de ser estrangeiro. Todos entendem MESMO o que você fala, e vice-versa. Mas de qualquer forma, estou com grana "pulverizada", em várias partes do corpo e da mala, e passaporte e voucher e papelinho e não-sei-quantos euros etc.

Comprei um tal de Lisboa Card, mas acho que fui enganada (o post seguinte pode dizer mais). Peguei o Aerobus e durante o trajeto, ia olhando no mapa, pra já começar a ficar familiarizada. Desci na Estação Praça do Comércio (que tá em obra, portanto fiquei mais próxima do albergue). Dali, foi andar 2 minutos (planos) e chegar.

O hotel chama Home, e é bem bacana. Na hora que cheguei (umas 10 da manhã daqui), não tinha quarto ainda e foi bom, porque teria caído dura na cama. Fui andar durante as duas horas que o Jorge me deu para uma cama limpa e deliciosa. Quando ele me disse seu nome, eu falei> Ah, Jorge, que nome lindo (e internamente, me senti protegida "sob as armas de Jorge"). Ele me respondeu> "Vocês, os brasileiros, têm um português doce". Viva Pessoa.

Bom, aí, saí pra caminhar, totalmente sem rumo e propósito. Fui andando, vendo as pessoas, ainda era muito cedo e eu achei que a cidade era calma. Cheguei na frente do Tejo, mas sem poedr vê-lo. Tá tudo em obra na Praça do Comércio, justamente pra tentar recuperá-lo.





O Tejo e eu>






Dali, tenho um monte de fotos legais, mas tenho que ser breve aqui.

Resolvi descobrir preços e horários para Cascais, Sintra e Cacilhas. Era algo que ia ter que fazer mesmo e já que estava podre para fazer qualquer roteiro, foi um coelho-cajadada a menos.

Saí, morrendo de preguiça e achando Lisboa um saco (mas eu já estava encantada com a Rua do Alecrim, das Flores, tantos nomes, tanta historia e tudo tao pessoal). Mas eu sabia que estava cansada e que meus olhos eram os de 24 horas desperta.

Esperei o meio-dia e entrei numa tasca simples na frente do Cais do Sodré, na Rua dos Remoleiros. O melhor polvo que eu já comi na vida. Quem cozinha sabe como é difícil fazer um polvo, acertar o ponto certo de "cozimento", como se diz acá. Não se pode deixar muito nem pouco, há toda uma arte que os portugueses dominam, porque foi o primeiro polvo que comi que simplesmente era tenro, mole, macio, derretia na boca, as impressões sensorias são difíceis de imprimir, mas eu digo que foi o melhor polvo que já comi na vida. Ele despedaçava, mas ainda firme e ele chegou em 15 min na minha mesa.




E foi o polvo mais um vinho da casa mais o couvert de pães e queijo saiu por 12,50. E o garçom ainda ficou meu amigo e meu deu o telefone dele "caso tu te sintas só". Ele tem esposa, por sinal.


Ainda tenho muito a falar desse primeiro dia. Mas já é tarde aqui, e quero ver o Castelo de São Jorge amanhã.

Pros que zombaram da minha mala, aqui faz 13 graus. Frio do caraças, como dizem acá.

Até já.

domingo, 3 de maio de 2009

O começo é mais embaixo


(Castelo de São Jorge, Lisboa - foto, ainda, do Google Images)

Agora que só faltam uns 10 dias para a partida, parece que tudo é fácil. Mas não é. Principalmente porque o frio na barriga só aumenta a cada dia, e as coisas pra resolver continuam existindo sem parar.

Meu plano era ter tudo planejado. Tudo, tudo. Daí fui vendo que deixar a coisa meio em aberto é bom. Como chegarei em Lisboa, já reservei 4 dias de albergue. O resto, a viagem vai dizer.

Ainda mais com o H1N1 por aí. Até agora, parece que Portugal tá livre do bicho. Então, se tiver que esticar mais por lá antes de Paris, que é o destino final (e, parece, com menos vírus)... voilà!

Uma coisa que legal que fiz antes da viagem a Buenos Aires no ano passado foi estudar e re-estudar o mapa da cidade. Todos os dias, lá ia eu, viajar pela cidade num mapa que achei na internet. Não tinha nenhum guia, e eu mesma descobri atrações e organizei um guia particular. Meu estudo serviu pra saber me mover pela cidade mais familiarizada com as coisas. E deu certo. Eu consegui ir para todos os lugares, não me perdi nenhuma vez e ainda servi de guia pra uma porteña e um brasileiro (que MORA lá), que não sabiam se encontrar.

Pra essa viagem, já vasculhei e revasculhei vários guias, e desta vez, eles irão comigo, porque as cidades são muito mais complexas e cheias de coisas pra fazer. O mapa de Lisboa já cabe na palma da minha mão (e, mais importante, nas conexões do meu cérebro). O de Barcelona até que também. O de Paris, não sei porquê, deixei pra depois e só sei os arredores do meu hotel e uma coisa turística ou outra.

Tenho muita coisa guardada em pastas de favoritos e emails gentis de amigos, com dicas. Preciso agora passar tudo pros 2 caderninhos que comprei pra levar, porque não vai ter internet à disposição 24h por dia (socorro!). Também vou aproveitar as 10 horas de viagem que me esperam de São Paulo a Lisboa para organizar papéis, reler guias, planejar e replanejar roteiros alternativos.

Agora que faltam 10 dias, parece fácil, mas ainda falta cadeado, tênis, fazer cópia dos documentos, simular a mala, pesá-la, anotar todos os telefones espalhados de amigos que estão por lá, comprar umas máscaras N95 (!). E tantas outras coisinhas mais.

Mas o mais difícil é só uma coisa, e acho que só vai acontecer quando eu pisar no Aeroporto da Portela, em Lisboa: a ficha cair.